10 perguntas sobre Social Games

Farmville, MafiaWars, Colheita Feliz e Café World. Com certeza, se você é um nativo digital ou adepto de longas horas de navegação diária na internet, já ouviu falar de pelo menos um desses nomes. Os chamados Social Games são notícia nos principais blogs de tecnologia, mídias sociais e veículos on-line desde a febre do MafiaWars, que invandiu as direct messagens do Twitter e solicitações do Facebook com pedidos de adesão à “Mafia Family”.

Para conhecer um pouco mais dos Social Games e este mercado que está movimentando algumas milhares de cifras lá fora e, já no Brasil, eu convidei Tahiana D’Egmont, a carioca radicada em São Paulo, sócia da Mentez, empresa líder em desenvolvimento de aplicativos sociais no Orkut, como Mosaico de Amigos e BuddyPoke.

TahianaImagem: Entrevista com Tahiana D’Egmont para revista ISTOÉ Dinheiro

1) Qual foi seu primeiro contato com Social Games?
Se pensar simplesmente no termo “social game” diria que desde muito nova tive contato com jogos sociais pois a definição literal seria de um game que permite interação entre um grupo, o que o torna social. Mas aplicando isso para o contexto de redes sociais, diria que o social game além de gerar interação entre pessoas, está presente em uma rede social, é um conteúdo dessa rede, parte integrante e atuante. Neste caso meu primeiro contato foi com o Bolão Brasileirão (que hoje tem outro nome), do orkut, e posteriormente com o Mafia Wars, no Facebook.

2) Quando e como começou a trabalhar com isso?
Sou sócia de uma empresa que desenvolve apps para redes sociais e por toda minha vida trabalhei com estratégia online. Quando entrei na empresa há pouco mais de 1 ano já havia movimento de social games nos EUA. Apesar de naquela época isso ainda não estar chamando tanta atenção, propus aos meus sócios em Miami trazermos social games para o Brasil e investirmos em uma plataforma que facilitasse a compra de créditos para os usuários daqui, com uma estratégia adequada para o país. O mercado ainda é muito novo, mas está sendo extremamente gratificante e já estamos expandindo o modelo para outros países em desenvolvimento.

3) O BuddyPoke virou mania nacional no Orkut há pouco mais de um ano. Você o considera um marco para os Social Games nacionais?
Não considero o BuddyPoke um game em si e acho que o sucesso dele nos modelos de remuneração aplicados a social game é extremamente limitado. Sem dúvida o BuddyPoke permite a interação entre os usuários e está dentro de uma rede social. Porém, ele não tem a mecânica de um jogo onde temos disputa e regras. Essas duas últimas características são a base de um jogo e a disputa principalmente tem um apelo muito forte em redes sociais.
Ainda sim, o BuddyPoke é um estrondoso sucesso no Brasil como uma social app e nesse ponto o considero um marco.

4) O brasileiro é tão amigável com o Social Games quanto o é com sites de redes sociais?
Ainda é difícil mensurar isso porque o mercado é muito recente mas se tomarmos o BuddyPoke, que é uma social app, vemos que praticamente o orkut inteiro está lá, a adesão é altíssima. O maior social game do orkut atualmente é o Colheita Feliz, que conquistou a posição #1 do orkut recentemente, e tem pouco mais de 1,5 milhões de usuários. O número mais interessante dessa história é a taxa de usuários ativos. O BuddyPoke tem 40 milhões de usuários, sendo 5 milhões ativos por semana. O Colheita Feliz tem 1,5 milhões, sendo 1,4 milhões ativos por semana. Aí existe uma grande diferença que me dá um parâmetro para dizer que os usuários brasileiros que jogam são muito ativos, não usarei a palavra “leais”, mas com certeza são usuários recorrentes.
Social game ainda é uma novidade no Brasil e ainda há um caminho a percorrer tanto em termos de melhoria dos produtos quanto em educação e conhecimento dos usuários. Até agora, a receptividade tem sido impressionante e arriscaria dizer que o usuário brasileiro é quase tão amigável com social games quanto com redes sociais.

5) Quanto o brasileiro investe em Social Games? Ainda há muita diferença dos investimentos feitos em outros países?
Dizer quanto “o brasileiro” investe também ainda é difícil. A base de usuários em social games no orkut, por exemplo, ainda está crescendo.
A nossa ARPPU (average revenue per paying user) já está bem próxima ao valor médio da ARPPU dos EUA, mas o ARPU (average revenue per user) ainda está em a um terço da média americana.
Isso significa que os usuários que compram aqui estão, em média, gastando o mesmo que os americanos, mas temos menos usuários ativos dos social games pagando.

6) Qual é o principal target dos Games Sociais? Adultos jogam ou gastam tanto quanto adolescentes e crianças?
Infelizmente o orkut, que é onde fica nosso maior mercado, não fornece informações de faixa etária por considerar uma informação sensível. Além disso, para se inscrever nesta rede você precisa declarar que tem 18 anos, portanto não conseguiríamos saber quantos são menores de idade. O que percebemos por pequenas pesquisas internas é que muitos adultos estão jogando. Acreditávamos que nosso público principal seria formado por pré-adolescentes e adolescentes e temos visto uma enorme quantidade de esposas comprando créditos para seus maridos e vice-versa. Os pais que compram para os filhos costumam carregar também suas próprias contas do orkut. Não posso te dar um número exato, mas por alto diria que até 40% da nossa base de usuários tem acima de 20 anos.

7) Os destaques de 2009 são realmente Mafia Wars e FarmVille? Ou você citaria outros?
No Facebook, sim. E particularmente acho a mecânica do Mafia Wars fantástica, melhor que do Farmville. Para mim esse é o grande destaque de 2009 a nível mundial.
Se formos falar de Brasil o Facebook tem uma papel muito importante em social games. Vejo mais brasileiros utilizando apps lá do que no orkut (usuários totais / usuários em apps), mas o número de usuários brasileiros no Mafia Wars ou FarmVille não chega ao número de usuários brasileiros do Colheita Feliz, por exemplo. Analisando os números friamente: o Facebook tem pouco mais de 2 milhões de brasileiros: não podemos afirmar qual o percentual delas no Mafia Wars ou Farm Ville mas seria precipitado presumir que esses games tenham mais que os 1,5 milhões de usuários do Colheita Feliz, no orkut.

8) Você considera que adesão a determinados games é temporária? Existe um “hype” que depois passa rapidamente com o surgimento de um novo game?
Como em tudo na internet existe um ciclo de adoção que se extende por algum tempo devido aos late adopters. Os aplicativos em geral têm picos de adesão, sem dúvida, mas mais ainda picos de atividade. O número de usuários com um app ou social game instalado costuma crescer sempre, mesmo que a velocidade diminua bruscamente. Já o número de atividade cai e nesse ponto considero que exista um “hype” mas não que ele diminua pelo surgimento de um novo game. Acho que esse hype diminui porque as pessoas se cansam e aí cabe aos desenvolvedores reinventarem os próprios games e lançarem novas funcionalidades. É o caso de Mafia Wars lançar Cuba e posteriormente Moscow, criando novas possibilidades de jogo dentro do mesmo game.

9) Você acredita que este é um mercado em ascenção? Quais são as tendências previstas pra 2010?
Com certeza. A tendência é de crescimento, principalmente em mercados emergentes como Brasil e Índia. Nos EUA, os líderes de mercado precisam encontrar uma nova opção para trazer de volta a verba perdida com a saída das “ofertas”. Vai ser um ano super aquecido tanto no mercado nacional como internacional.

10) Quais são os principais profissionais envolvidos na criação de um Social Game? Qual o conselho para aqueles que querem começar a trabalhar com esta área?
Designers, desenvolvedores (de todos os tipos), gerentes de rede e infraestrutura, profissionais de criação e de estratégia de produto etc. Não existe um modelo fixo, mas a base é uma excelente estratégia, uma boa idéia, um bom designer e um bom desenvolvedor. Ter alguém para gerenciar servidores, otimizações e estrutura também é essencial. Esses games consomem muita banda e memória, os problemas mais comuns relacionados a eles estão ligados a capacidade de servidores.
Mais do que conselho, vejo uma necessidade de mercado: faltam profissionais qualificados que sejam capazes de olhar o mercado e montarem estratégias de negócios com base em redes sociais em geral (não só social games). Para a execução você consegue montar um bom time, mas é difícil ter gente para liderar o processo, ver adiante e montar produtos para vencer. Meu conselho seria pensar antes na estratégia, nos atributos do produto, no público etc, antes de seguir adiante no desenvolvimento.

4 Responses to 10 perguntas sobre Social Games
  1. Tarcízio Silva Responder

    Ótima entrevista, Tahiana. Especialmente a pergunta 7, que mostra a declaração de uma profissional sobre a relevância dos aplicativos sociais do Orkut. Tenho visto o jornalismo de grandes portais escreverem besteiras tremendas, ao ponto de dizer que os jogos da Zynga superaram o BuddyPoke no Brasil. Como comprovam os dados que você cita, os jogos da Zynga não superam sequer o Colheita Feliz.

  2. Social comments and analytics for this post... This post was mentioned on Twitter by webwrit... ubervu.com/conversations/www.simviral.com/2009/11/10-perguntas-sobre-social-games
  3. [...] são ótimos exemplos de Social Games que estão explodindo de sucesso. Vale dar uma lida na entrevista ... adivertido.com/wikitrends-2009-2010-social-games
  4. Codeorama Responder

    Imagine quantas pessoas jogam FarmVille e quantas compraram o trator! Lembrando que esse trator não tem custo para a empresa. Jogos sociais fazem bem para a empresa e para a marca.

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