Viral está na moda. Todo mundo quer fazer um. É o blog do Tobias que publica suas gracinhas, o cachorro-quente do Antunes que quer vender mais e as empresas com suas agências de publicidade que não querem ficar de fora de toda essa nova fase da publicidade online.

Foi até mesmo criado um verbo para o ato de tornar algo conhecido na internet: “viralizar”. A receita parece fácil. Vamos pegar como exemplo um vídeo. Consiga uma câmera digital, pode ser de celular. Grave um vídeo contendo que você considere muito engraçado. Jogue no YouTube com palavras-chave fáceis de identificar com o conteúdo do vídeo. Divulgue para seus amigos no Orkut, email, msn e blogs. Fácil né? Até você ver que tudo isso não foi suficiente para sua idéia genial alcançar as proporções que imaginava.

Não é qualquer conteúdo que chama atenção na internet. E pra prender o internauta você tem segundos. Clicar naquele “x” vermelho no canto direito da tela é tão simples quanto clicar no link de uma página. Se algo não é suficientemente bom, relevante, legal, extraordinário para o público que você quer atingir, não tem jeito, você vai ser só mais uma dúzia de bites perdidos na rede.

Atenção

Quando tem uma marca envolvida a situação é ainda pior. É cada vez mais difícil você ter a atenção de alguém pra dizer que tal marca te ama, te faz bem, é legal. É por isso as atenções tem se voltado pra internet, um território livre, onde as pessoas estão trocando informações constantemente. E aí voltamos no tal viral. As empresas querem alguma coisa que se espalhe pela internet divulgando sua marca de alguma forma. Só que dessa vez não é o Tobias, nem o Antunes querendo fazer seu viralzinho.

É possível? Claro, a gente vê um monte de exemplo bom por aqui. O cuidado tem que ser redobrado. Você não pode correr o risco de desagradar alguém. Não precisa ser unânime, mas não pode deixar margens pra críticas sem que você possa contra argumentar de maneira amigável algum possível questionamento.

Por exemplo

O recém-publicado vídeo “Gordos” da DM9 para a Cia Atlética. Fizeram o vídeo com uma sacada criativa relacionada à lei Cidade Limpa, que proíbe a mídia exterior na cidade de São Paulo. Então pelo tamanho, pessoas obesas, com marcas estampadas na camisa poderiam ser consideradas esse tipo de mídia. Gravaram um vídeo, no estilo pegadinha, com dois atores se passando pela fiscalização da prefeitura dando multas para essas pessoas.

O vídeo que estava aqui foi retirado do You Tube no início da tarde de hoje (08/05).
Notícia do G1 torna público algo que era restrito a apenas um nicho (14/05)
Uma das pessoas que não gostaram do vídeo colocou no ar novamente. Veja abaixo (16/06)

Ok, a sacada é muito boa, mas deixou uma margem enorme pra críticas.

A mensagem que o vídeo passa é a seguinte: “Meu filho, tu é um gordo, parece um outdoor, vai pra Cia Atlética resolver teu problema”. Alguns podem levar na esportiva, outros não. Nem todo mundo aceita ser ridicularizado que tirem sarro de suas características físicas. E na internet, não tem espaço para o “nem todo mundo”.

Como você vai explicar pra alguém que acusa o vídeo de ser preconceituoso e desrespeitoso? “Ah, é uma brincadeirinha gente, vamos ter um pouco de bom humor”.

A divisão de opiniões pode ser observada não só no You Tube, mas também no Update or Die (onde saiu primeiro) e nesse outro post aqui.

Sugestão?

1) Encontrar um argumento muito bom que convença do contrário as pessoas que se sentiram ofendida ou acharam de mal gosto.

2) Reconhecer o erro e tirar o vídeo do ar agora, antes que tenhamos que conjugar o verbo “viralizar” no passado, na 3a pessoa do singular.

Neste caso, fico com a 2.