Barack Obama é o cara e todos nós que trabalhamos com publicidade idolatramos a sua equipe responsável pela divulgação online, cheia de traquitanas que utilizam as redes sociais com maestria. Convenhamos que está para nascer o pobre coitado que vai se opor a isso. Mas antes mesmo das suas qualidades de estrategista, o candidato a presidência dos Estados Unidos compreende o marketing de guerrilha como poucos. É fato consumado que ele encarnou o espírito do astroturfing e engajou os eleitores numa onda que motiva cada possível eleitor a falar sobre o candidato, espalhando a sua mensagem por esse mundo sem porteiras, pintando muros analógicos e digitais com a face do homem em questão.

Nessa pegada, a transposição do movimento para a internet é algo 100% natural. Não é isso que sempre ouvimos nas palestras sobre o tema? “As pessoas amam as redes sociais, é lá que agora elas estão produzindo e consumindo conteúdo!” Mas antes mesmo de uma extensa discussão sobre a utilização dessas ferramentas, para mim, fica a clara compreensão de que os números, os gráficos e o marketês (ou marketol, ou marketeliano) pintam inocentemente de aquarela super diluída algo muito maior: o poder de conteúdo que engaja e a inteligência criativa por trás de qualquer estratégia nesse campo.

O vídeo abaixo representa o que eu quero dizer. É um quadro de 10.000 x 10.000 pixels feito com 12 mil thumbnails de fotos capturadas no BarackObama.com. Um mosaico produzido com uma nova tecnologia da Microsoft, fornecida pelo Silverlight 2.0, que mostra imagens de pessoas que interagiram em algum momento com a campanha, formando o rosto do presidenciável. A obra de arte está no DeepZoomObama.com.

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Barack Obama, sentado na sua Obamania, soube engajar as pessoas num movimento de mudança, convencendo-as de que o “we” contido no slogan “Change, we can believe in” tem um real significado, não é só a costumeira falácia corporativa. A sua inteligência de guerrilha reflete a compreensão de que as “ferramentas 2.0″ que agora abundam pelos 4 cantos nada mais são que possibilidades latentes de diálogo e de disseminação de conteúdo pelos seus entusiastas - isso quando bem trabalhadas, levando em conta milhões de fatores extra “meu público tem entre 20-30 anos, e pertence a classe A e B”.

Se hoje, muitos - e me incluo nessa! - ainda não cansaram de vasculhar métricas e tentar grudar com cuspe o “social” com “mídia”, um possível próximo presidente dos Estados Unidos finalmente ensinou algo de útil, principalmente à nobre casta de comunicadores do futuro: como nunca, “we really are the media!”

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