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O segundo dia começou com a promessa de ser ótimo. Danah Boyd, uma das maiores autoridades em redes sociais no mundo, dá o pontapé inicial falando da audiência nesses locais.
Por que as pessoas estão nas redes sociais? Para se divertir, sair da rotina e interagir com outros de forma diferente. Algumas pessoas encontram novos amigos nestes espaços mas, em sua maioria, mantém diálogos com quem conhece offline. Danah levanta alguns pontos relacionados aos perfis, sua utilidade e o que realmente revelam - as pessoas são verdadeiras na hora de falar de si? São realmente pessoas ou são personas que emanam vibrações diferentes das reais no mundo digital? Falando sobre privacidade, Danah cita o colapso de contexto: nem todo mundo tem a mesma visão de público e privado, por isso a privacidade é uma coisa difícil de padronizar numa rede social. Ela explica quatro dinâmicas da web que se disseminaram com as redes sociais: durability (tudo que você falar na Web vai permanecer lá por muito tempo), replicability (quase tudo pode ser passado adiante, mas convenhamos que nem tudo merece); scalability (qual o poder de disseminação em escala de um conteúdo nestes espaços) e searchability (hoje tudo e todos são facilmente encontráveis).
Danah passou então para exemplos de redes sociais e suas particularidades, como o sucesso do MySpace graças à inflexibilidade do Friendster, que queria ditar os modos de interação aos usuário, e o Facebook, que nasceu dentro de Harvard e se popularizou pela “exclusividade”. Claro que o Orkut, grande destaque dos brasileiros neste contexto, não ficou de fora. Comentou a popularização desta rede por aqui - ficou a dúvida se aconteceu pela competitividade com os EUA, como Danah disse, mas é certo que o ar de exclusividade inicial o impulsionou - e o porque de tanto sucesso. Aproveitou para a deixa do mobile como a nova onda de interação com as redes sociais e encerrou a palestra falando das marcas dentro destes espaços, que estão lá querendo ou não. Se elas querem, precisam dar ao consumidor um motivo interessante para que falem, e deixar a coisa acontecer. Acabou reiterando o que Seth Godin falou no primeiro dia: se não falarem de uma marca, ela simplesmente não “existe”, então, falem bem ou falem mal, mas falem.
Logo depois rolou um debate entre convidados, muito bem mediado pelo Marcelo Coutinho, falando sobre o público que está presente na internet. A inclusão digital das classes C, D e E já é realidade e apareceu em números impressionantes nos gráficos da discussão. Nos últimos quatro anos, triplicou a quantidade de lan houses “no morro” e famílias de baixa renda com acesso à internet em casa, mostrando que a Web não é mais elite. Outro ponto interessante abordado no debate é a cauda longa musical que se apresenta nesses lugares. Há muita coisa nova pipocando bem longe dos nossos olhos acostumados à mesmice e fazendo parte da revolução dos meios de produção e consumo. São bandas como a Calypso, distribuindo CDs para venda em camelôs, popularizando a música, consolidando a fama e enchendo o cofre com shows.
De toda essa discussão da inclusão digital e classes mais baixas na Web para um painel individual com Leandro Cruz de Paula, Country Sales Manager da Microsoft Advertising. Meio jabá mas ainda assim segurando firme a atenção de manhã, falou do comportamento das pessoas nas redes, principalmente os jovens. Lembrou que esse povo é banda larga, nasceu com a Web e não concebe o mundo sem isso. Já não há barreira entre o real e o virtual. Para essa geração, e provavelmente as subseqüentes, computador sem internet não tem serventia.
A tarde começou com um debate com convidados sobre o vídeo digital e sua influência sobre a forma de interação com as pessoas e foi seguido pela apresentação de uma pesquisa sobre o futuro da comunicação interativa, por Mario Faria, diretor da Accenture. Tanto um como o outro foram bem fracos: faltou encadeamento de idéias e empolgação pra falar. Sem contar que foram bem, bem comerciais. Enfim, para mim só ficou mesmo a afirmação de que a tela não encolheu (saiu da tv para o Youtube ou celular), mas aumentou e se multiplicou. O espírito não é migrar, mas integrar.
O bate-papo sobre blogs não trouxe nenhuma real novidade, mas foi energético e bem moderado. O papo girou mais em torno de blogs corporativos, se é necessário que uma empresa tenha um blog, por que aderir a este movimento… Enfim, eu destaco: blogs são conversas, se a empresa não estiver preparada para conversar, não adianta criar um blog. É o famoso “se não sabe brincar, não desce pro play”. Ao mesmo tempo, não se pode ignorar o que surge constantemente sobre uma marca nos movimentos espontâneos dos consumidores. Fica aberta a necessidade de resposta e o risco de um estrago maior, partindo da mobilização da comunidade. O importante é ter em mente que blog não é hype, muito pelo contrário. Deve ser muito bem planejado e fazer parte de uma estratégia maior. Afinal, blog tem de ser apenas uma das partes da comunicação, e não seu centro.
Finalizando, tivemos uma entrevista com Travis Katz, diretor internacional da Fox Interactive Media e do MySpace. Sinceramente, não sei quem era o entrevistador, mas ele não cumpriu muito bem o seu papel, me fazendo sentir uma vergonha alheia gigante. Basicamente, a entrevista girou em torno das novidades que vêm por aí, do MySpace Music, que vai disponibilizar músicas para venda sem DRM, e das estratégias da rede. Principal mensagem do Travis (que o entrevistador não entendeu direito e perguntou umas três vezes): o MySpace não pretende ser a maior rede em audiência, mas sim, em rentabilização.
O texto de hoje foi longo, de novo, mas é que tinha muito assunto que merecia destaque, assim como as “espinafradas”. Balanço geral: 70% de conteúdo novo, bom ou bem apresentado que foi incorporado, 30% de palestras mal-feitas que voltaram -se ao o palco. Valeu o ingresso e fica a vontade de ver mais - só as matutinas. =D
E valem o clique: imagens da @samegui, @renatotarga e @pageup9; bloco de notas da @baunilha.
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