NBC08 - SimViral no New Brand Communication 2008

O segundo dia do New Brand Communication foi melhor, com certeza.

Tim Lucas da TWRAmericas mostrou o trabalho de pesquisa etnográfica que realizou em Floripa e São Paulo com jovens e sua relação com a internet. Ponto alto foram os vídeos com os depoimentos e as análises sempre bem descritas por Tim. Ponto baixo foi uma espécie de “focus group” onde colocaram um grupo de jovens do Itaim Paulista (SP) em cima do palco e ficaram metralhando de perguntas. Não entendi muito o sentido dessa intervenção no evento, mas enfim, foi.

Tivemos uma viagem cultural pelo BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China) que é o nome do livro do palestrante Richard Monturo. Richard acredita que o futuro dos países do BRIC é ser global. Explicou sua metodologia para explorar cada país desse e como ele chegou a essa conclusão. Papo mais cabeça, cultural, bacana.

Daljit Singh  da Digit. (Londres) abriu seus trabalhos com a seguinte pergunta, “qual é o peso de um pixel?”. E seus devaneios nos mostravam que devemos aproveitar melhor os pixels. Que o desperdício de pixels pode prejudicar até mesmo a natureza (sim, aquela velha história do Co2). Quanto mais pixels, mais espaço em disco e consequentemente mais servidores para hospedarem. Quanto mais servidores mais energia gasta no mundo. Então tenham a consciência de não gastarem pixels à toa amiguinhos. Para ele blogs, redes sociais em sua maioria são um exemplo de desperdício de pixels (realmente, a quantidade de lixo é absurda). Só que por outro lado diz que momentos de interação entretenimento são importantes. é algo que a pessoa leva consigo e não se esquece mais”.

Em uma tentativa de mostrar como contamos histórias desde 1888, Mike Wilson da Oil Productions (Londres), se mostrou um pouco confuso e enfim, confesso que não consegui aproveitar muito sua palestra. Dentre umas e outras soltou uma frase que você já deve ter ouvido em algum lugar: “a mensagem é mais importante do que o meio que utilizamos”.

Sem problemas, em seguida subiu ao palco cercado de expectativas Russel Davies, ex- Wieden + Kennedy, sócio da consultoria Open Intelligence. E as expectativas se confirmaram. Russel trouxe questões importantes à tona ilustrado por cases fantásticos nos quais ele participou. É o caso dos comerciais de Nike, Honda e Honda Hate. Contou a história dos cases, processo criativo e em meio a tudo isso nos mostrava as teorias que ele acreditava. Destaco algumas frases que twittei durante o evento que por si só explicam muita coisa:

  • “Qualquer marca com um pouquinho de imaginação e criatividade deve reduzir seu gasto com mídia. Deve até mesmo zerar.”
  • “Hoje, as ferramentas de marketing e publicidade nao pertencem só aos publicitarios, mas a qualquer pessoa.”
  • “A quantidade de marcas querendo interagir, criar relação é enorme. E nós, consumidores, não vamos querer fazer isso com todas as marcas”. Perceberam o desafio?
  • “Como achamos que é ser interessante? A propaganda fica martelando na cabeça da pessoa até ela finalmente prestar atenção”.
  • A verdade é que ninguem lê as propagandas, elas lêem o que é interessante. Pode ser que por um acaso esse ‘algo interessante’ seja uma propaganda”. Esse é o desafio.
  • “Só que a comunicação é como velcro. tem milhares de ganchos mas vc nao sabe qual deles vai funcionar”. Acho que isso se aplica à viral também.
  • “Tem que ser conveniente pras pessoas, não pra empresa”. Isso me lembra os 1001 blogs corporativos.”
  • “Você não pode controlar a conversacao mas pode contruir algo para que isso aconteça”.
  • “Não se trata de maquinas mais poderosas mas de pessoas mais poderosas”.
  •   “É difícil concorrer com algo bom e de graça. Isso é o q a internet nos dá. temos aprender a fazer isso, se não ficamos pra trás”.

Resumindo em linhas gerais e inspirado em Russel Davies minha conclusão é a seguinte.

O negócio da internet muda o tempo inteiro, fica difícil aprender nesse ritmo. Logo o jeito é botar a mão na massa, fazer. Ninguém aprende só olhando. Assim fica mais fácil você entender como funciona, o que está mudando e como criar essa relação, essa conexão com as pessoas na internet. Afinal, nem sempre a agência vai ter a melhor idéia. É melhor criar meios de fazer parcerias com essas pessoas que estão aí e tem o domínio das ferramentas, são engraçadas e criativas. O discurso que tantos ouvimos tem que ser colocado em prática e essa prática ser discutida entre as agências.

Dessa forma, talvez a gente pare de discutir sempre os mesmos assuntos e tenha algo novo para trazer à tona. Se não vamos ficar sempre discutindo os mesmos assuntos, ouvindo as mesmas palavras. Não só aqui no Brasil, mas no mundo inteiro.

Obrigado demais ao Victor Vasques e Bia Granja pelo convite e um abraço à galera que tive o prazer de encontrar por lá: Luli Radfahrer, Luiz Yassuda, Oct, Gica, Baunilha, Gabriel Jacob e a galera do Desencannes.

Voltamos à nossa programação normal.

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