- Marketing viral, mídias sociais, inovação e tendências em publicidade online.
Os pontos que coloco a seguir são apenas para um estudo despretensioso deste caso específico. Não devem ser compreendidos na ordem de postagem, combinados ou entendidos como uma fórmula. Talvez não devam nem ser levados a sério…
Todos eles estão abertos para discussão nos comentários.
* Conteúdo polêmico: Apesar de não usar a fórmula da mulher pelada, racismo é um prato cheio para uma sociedade que adora vestir a bandeira da miscigenação - mas que morrerá com o preconceito velado, aquele que repete o mantra do tudo que acontece de errado tem um afro-descendente como responsável. Além disso, o vídeo questiona a idoneidade de profissionais gabaritados e de um canal pautado pela qualidade.
Quanto ao idoso, tudo certo: ninguém esconde o desrespeito com a classe, no ônibus, na rua, no trabalho, na fila do banco…
* Um embaixador: Cogitou-se por aí que o viral é cria do Mr. Manson, tanto pela forma quanto pela forcinha que o mesmo deu na divulgação do vídeo. Apesar da autoria não vir ao caso, as incessantes postagens de alguém que goza de certa reputação (qualquer que ela seja), ajudaram de alguma maneira. Na teoria - que alguns ligam tanto quanto ligam para os idosos e dizem gostar tanto quanto dizem gostar dos afro-descendentes - chamam essa pessoa de alfa.
* “Preciso falar isso”: Existe uma necessidade em algumas pessoas que merece ser estudada. Elas não se bastam em saber sobre algo. Precisam mostrar para as outras que sabem e tem opinião, mesmo que essa seja influenciada por um alfa. Novamente na teoria, essas pessoas são chamadas de abelhas, que infestam a rede e, mesmo com um poder de influência geralmente reduzido, aumentam a presença online do conteúdo e dão aquela sensação de ” não se fala de outra coisa!”. O Twitter, os Fóruns e o e-mail, ferramentas que potencializam a espontaneidade, ajudam os insetos a zunirem o conteúdo por aí.
* Blogs Generalistas/Humor: Alguns editores escrevem com um olho no WP e outro nas buscas do Google. Quando o barulho em torno de um assunto começa a crescer, colocá-lo no ar deixa de ser uma notícia morta, transformando-se em postagem obrigatória. Às vezes fazemos isso aqui no SimViral, de uma maneira bem tímida, sem querer (querendo). A disputa idiota do “quem dá primeiro” passa para a briga pelas posições nas buscas, na tentativa de angariar cliques, leitores e, não no meu caso, dinheiro. Bom para o vídeo, que é replicado diversas vezes. Ruim para o Faustão e o seu diretor preconceituoso.
* Cauda Monga: Aqui dá para correr para o abraço, pois o vídeo já foi visto por milhares de pessoas e só aumenta em número de views. No Twitter, uma dezena de espertalhões podem estar vangloriando-se de ter lido em algum lugar que o Faustão não usa ponto e que o vídeo é fake, ao mesmo tempo em que começam a falar do mais-novo-”viral”-da-Nike-do-dia. Contudo, na Cauda Monga numerosa e amorfa, os xingamentos racistas estão começando a virar assunto, chegando ao Orkut, gerando comentários inflamados e gramaticalmente desconexos na página do vídeo. Não há muito questionamento sobre verdades ou mentiras, apenas replicação passional. Ele começa a figurar entre os dez mais vistos do dia, da semana, do mês e, num exercício de futurologia, é sucesso nas Lan Houses do país.
E enquanto para uns o conteúdo deixar de ser notícia, para outras é a mais nova novidade. O ciclo pode se enfraquecer, mas não se interrompe.
Daqui para frente, caso não surja uma outra bomba, não duvido que aquele seu colega que não mexe com a internet direito pergunte se você viu o vídeo do Faustão. Não me espantaria se daqui a uma semana no ponto de ônibus eu ouvisse que o apresentador estaria para ser afastado da Globo.
PS.: O responsável tirou o conteúdo do YouTube. A última olhada que dei, tinha mais ou menos 30 mil visualizações e era o mais visto e comentado do dia de ontem. Um outro alguém agilizou a postagem no Videolog. Mais uma tática para fomentar o conteúdo e aumentar a polêmica? Definitivamente um case que ensina.
Divulgue:
Tiago Moralles
November 12th, 2008 às 11:43 am
Fala Ariel.
Cara, a forma como os virais se espalham e sua capacidade de realmente “contaminar” a rede, é incrível, e isso é não é mérito para discutir agora.
Os pontos que você levantou são pertinentes, acho interessante como isso ganha jeito e forma, praticamente sozinho. Mas cabe aqui uma grande dúvida.
Os virais têm como interesse imediato, não fazerem a proliferação da marca, mas sim de uma idéia, um estilo e porque não, uma situação. No caso específico, o vídeo tem toda a pinta de um viral, mas não seria arriscado demais a construção de uma imagem negativa com esse alto índice de preconceito?
Ótimo post.
Abraço.
Ariel Gajardo
November 12th, 2008 às 12:07 pm
Tiago,
Só uma observação: Um fato que me espantou muito ao ver a lista de mais vistos ontem no YouTube é que o vídeo do Faustão era o pior qualificado, com 3 estrelas. Pensando como agência, isso realmente pode ser um freio para as marcas se estupidamente afirmarmos que só polêmica alcança o sucesso. Ninguém quer atrelar sua imagem a algo negativo, mesmo que gere buzz.
Esse caso do Faustão não tem a motivação de uma empresa por trás. É galhofa, intriga da oposição ou resquícios de uma demissão mal resolvida. Mas fazendo uma associação com marcas, a Diesel soube misturar polêmica com a sua imagem num vídeo que ganhou a internet.
http://www.simviral.com/2008/09/diesel-xxx-party/
Nada polêmico, mas muito divertido, Will it Blend? é um outro exemplo que nos esbofeteia a face toda vez que pensamos que só conteúdo amador e não patrocinado pode ser passado adiante. Ele tem essa característica que você fala do “passar uma idéia, não a marca”. Mas os dois se misturam tanto que fica quase impossível dissociar um do outro. E o que você faz? Comenta sobre e passa pra frente.
http://www.simviral.com/search/will+it+blend
Isso tudo prova pra mim que não existem regras e fórmulas na elaboração de um conteúdo que tem a pretensão de ser comentado e transmitido espontaneamente. O que podemos fazer é ficar depois discutindo os pontos, tentando compreender e experimentar.
Bruno Gonçalves
November 12th, 2008 às 12:43 pm
Se o vídeo tem uma proposta mal intencionada ou não, nessa discussão eu não entrarei – até porque devemos tomar muito cuidado em relação à veracidade¹ do mesmo.
Agora, amarrar o conteúdo de vídeos, posts, imagens, etc, a pessoas famosas, principalmente com fatores polêmicos, isso tem se mostrado uma receita de bolo comum de se encontrar na internet. Virais com essa formatação são projetados rapidamente pelas abelhas, por isso a classificação elevada no Youtube.
Portanto, para mim, considero que esse tipo de material já está se tornando comum na Internet e, daqui para frente, mais e mais pessoas vão se utilizar dessas ferramentas tanto para divulgarem mensagens e idéias vinculadas a objetivos comerciais ou de marketing ou, simplesmente, para “fazer graça” ou tentar denegrir a imagem de pessoas, instituições e marcas.
Nota:
¹ Na minha opinião, se a autenticidade do vídeo fosse real, a pessoa que fez a sua publicação no Youtube não teria retirado ele do ar tão rapidamente.
Caio Costa
November 12th, 2008 às 1:03 pm
Ótima análise, Ariel. O vídeo tem tudo pra se espalhar e tbm lembra os velhos tempos do Mr. Manson.
Tou vendo em qto tempo um colega off line vai me fazer a pergunta :D
Leonardo
November 12th, 2008 às 1:10 pm
Análise perfeita! E, É isso com certeza.
[barba]
November 12th, 2008 às 1:13 pm
Esse domingo vai ser a primeira vez que eu assisto o Fausão inteiro esperando ele comentar sobre o vídeo. Cara, se isso for um viral de uma empressa de walk-talk ou uma empresa que fabrica pontos eu vou rir muito.
Neto
November 12th, 2008 às 1:45 pm
Ariel,
Sabe o que eu acho?
Que é fake de doer.
Não é viral de marca.
É viral de gente.
Gente que faz esse tipo de bobagem com a mesma motivação que neguinho faz vírus.
Pra dizer que foi ele que fez.
“Quer ver como eu faço um viral?”
Aí faz essa bobagem, achando que com isso ganha prestígio.
Não ganha.
Ganha, no máximo, a admiração (?) da meia dúzia de idiotas iguais a ele, que sabem que foi ele que fez.
E é uma receita fácil.
Podia ter sido feito do mesmo jeito com humor, com inteligência.
Mas a receita do preconceito é mais fácil.
Triste.
MrManson
November 12th, 2008 às 9:06 pm
Ariel, você mais do que ninguém sabe que agora sou praticamente um publicitário paulista: sem graça e conservador. Só trabalho para virais de marca. Infelizmente esta fama me perseguirá para sempre…
Minha única diversão hoje em dia é fazer parte da seleta meia dúzia de idiotas que valorizam sujeitos como os hackers e os pranksters. “Maus elementos” que trabalham para mostrar a fragilidade e burrice do sistema.
Burrice dos blogs, tão “nova mídia”, mas que espalharam esse vídeo absurdo e fizeram ele chegar no povão, que aí sim não tem critérios para julgar o que é possível ou não.
Enquanto existirem blogs que caem em absurdos como este ou como “Rede Record compra biscitos Globo” (e depois jogam a sujeira pra baixo do tapete), a falta de critério e desinformação ainda farão estragos.
Deus salve o profissionalismo da velha mídia, muito melhor vacinada e mais criteriosa para não reverberar este tipo de idiotisse.
Frente Guerrilha
November 12th, 2008 às 11:32 pm
Cauda Monga ahhahaha
A galera já tá craque em fazer viral hein?
Mas o vídeo é realmente polêmico… deve
ter acontecido!
chico barney
November 13th, 2008 às 12:37 am
o emocionante caso desse vídeo, caso seja realmente fake, cai não só no conceito de cauda monga, mas também faz conexões com o texto sobre o ‘verdadeiro novo humor’. pau no cool hunter explica o mundo.
OTo
November 13th, 2008 às 11:00 pm
Hauauaua! Com certeza uma brincadeira bem sacana com o Domingão do Faustão… Gugu tem algo a ver com isso? rs… divertido!