
Andy Kaufman foi um artista controverso. Transformou a própria vida num grande espetáculo humorístico, ora um soft tragicômico, ora uma narrativa repleta de atitudes impossíveis de engolir. O ponto é que ninguém ficava sem uma reação que fosse e só quem o acompanhava entendia seus propósitos. Ele transformava o público em cobaias de experimentos comportamentais, tudo por puro prazer.
Vejo as ações Leilão Trident do Cauã Reymond (Espalhe) e Mil Casmurros (LiveAD) meio como transvestidas de Andy Kaufman, incompreendidas e julgadas precocemente por muitos como fracassos. Antes de tudo, eu prefiro recolher os tomates e tentar entender.
A Trident poderia perfeitamente fazer uma promoção qualquer, onde um fã qualquer juntaria uma quantidade de embalagens qualquer e enviaria para um endereço qualquer e, se fosse sorteado, ganharia o encontro com seu ídolo. Mas e a graça disso tudo? Estaríamos comentando, reagindo e interagindo com algo tão sem sal? E não é “fale mal, fale de mim”. Arrisco a dizer que a marca sai ilesa da ação, mencionada em diversos veículos e comentada em muitos lugares.
O mesmo parece-me acontecer com os tais Mil Casmurros. Alguns se apressaram em alardear que, devido à lentidão com que os vídeos foram postados no site, a divulgação estaria sendo um fardo para a Toda Poderosa. Já eu torço para que a Rede Globo e a agência tenham olhado para os lados, e não apenas para frente. Centenas de citações e um sucesso que pra mim extrapolou o da mini-micro-série – uma espécie de orgasmo de adolescente que tem a sua “estréia” com a namoradinha.
Às vezes as coisas não são o que parecem ser e assim como os que julgavam Kaufman, não há sensatez, apenas reação desenfreada. Posso estar errado, mas parece-me que a Trident não queria lances de milhões na memorabília asquerosa e arrisco a chutar que a Globo, depois de todo o auê, não deveria se importar muito com os mil vídeos.
Ações e campanhas que objetivam o zumzumzum são assim. Arriscadas, grandiosas, controversas e chocantes por natureza. Se não, não tem barulho, não tem conversa. E quem trabalha com esse esquema de internet deveria se perguntar: não vivemos na era da recomendação, do culto ao Cluetrain, das idéias virais e da “mídia (colada com cuspe no) social”? Por que damos tão pouca bola ao boca-a-boca então?
Assim como para Andy Kaufman o mundo era uma ilusão que não se devia levar tão a sério, para quem faz ações como essas o sucesso não é atingir a métrica que reluz logo na primeira piada.
Vi Man on the Moon - que eu recomendo -, li este post no Buzz Cultural e fiquei com vontade de dar a minha humilde opinião.










Acho que, tanto o Mil Casmurros quanto o Leilão Trident cumpriram seu papel, geraram boca-a-boca e, em padrões nacionais foram inovadoras.
Eu não dei a mínima para a Trident dessa vez. Sinceramente eu só vejo meninas e gays com interesse nesse chiclete mascado.
Agora quanto a Mil Casmurros, a globo tem mil vídeos pra deixar guardados e… e só, ninguém vai dar a mínima depois e ninguém vai parar pra ver os mil vídeos.
Barba,
Você acabou de exemplificar com maestria em três linhas tudo o que eu escrevi num post gigante sobre a reação rasa de algumas pessoas ao se depararem com as ações.
Valeu!
Achei as duas iniciativas bacanas.
Acho que esse tipo de reação rasa parte de pessoas que esperam uma puta-big-idea-digital-interativa-engajadora e que, por tamanho idealismo, não enxergam o valor (ou não compreendem) de uma ação aqui, outra ali, que vá modificando o modo de se fazer comunicação para marcas.
Tem horas que se faz necessário o “baby steps, please”, visto que até gente do meio está passível de má interpretação.
Se a idéia era dar o que falar, conseguiu, uma boa jogada, moderna e que funciona. Se foi criativa? ´- aí já é outra história, foi bem planejada e é isso que importa, quando se elabora uma ação assim, é preciso ter o controle sobre os resultados.
Que venha a próxima.