Não vi todas as palestras que tinha programado, não comprei o livro “Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música” que tanto queria e não baixei todos os filmes e músicas que gostaria. Estive pouquíssimo tempo na Campus Party. Assim sendo, sem mais desculpas, atenho-me aqui ao assunto que justifica meu status de colaborador no blog: o Painel sobre uso de mídias sociais na publicidade, com Marcelo Tripoli (iThink), Lucas Mello (LiveAD), Mentor Muniz Neto (Bullet), Gustavo Fortes (Espalhe), mediado pelo Carlos Merigo. São todas opiniões implorando para serem discutidas, levando em conta meu status de mirim na área. Aliás, não estive presente e acompanhei o mesmo pelo vídeo disponibilizado pela iThink. Quem viu tudo no calor da hora poderá ser mais preciso que eu, provavelmente.

http://www.vimeo.com/2919573

Pra variar, mais uma vez, como já profetizara no Happy Hour, tivemos um debate que ficou boa parte focado nos blogs e na sua importância, na sua relevância, na sua blablablância. Essa crise de identidade já era sintoma na própria programação da área. Um CampusBlog com palestras sobre mídias sociais que acabaram focados, na sua maioria, em… blogs! Mesmo assim, três pontos foram fundamentais pra mim:

1) A importância da idéia social. Coisas boas viram assunto, empolgam as pessoas, são comentadas. Essas são as palavras mágicas definitivas, que somadas a um relacionamento certeiro, devem fazer a alegria das agências, dos clientes e das pessoas que interagem lá no final. Algo que parece tão velho quanto andar pra trás, presente em todos os senhores cases desde 1900 e lá vai bolinha. Mas que vale anotar no fundo de tela na hora de fazer acontecer.

2) Questionou-se a reivindicação de alguns profissionais por uma suposta maturidade e de uma inconseqüente profissionalização por parte dos “blogueiros”. Pra quem discorda da falácia (como eu), é dever da agência saber se relacionar com todo e qualquer tipo de pessoa que goza de certa autoridade nas diferentes redes sociais.

3) O medroso “cliente que quer surfar a onda, mas não quer se molhar” (Dambrós, Joana) também apareceu. Um tema que deve ser pauta em todas as mesas de entusiastas dos mais variados segmentos da publicidade. Todos querem aumentar a sua fatia e puxar a sardinha para o seu lado.

Queria ter ouvido mais sobre produção de conteúdo colaborativo, sobre pesquisa de trendsetters/formadores de opinião/coloque aqui o seu termo preferido – mas talvez ali não era o lugar. De resto, percebi poucos pensamentos contrários e os que brotaram envolveram principalmente o meu ponto número 3. No geral, os debatedores parecem ter  posições parecidas sobre os temas abordados, um levantando a bola para o outro cortar várias vezes. Até cheguei a cantar essa bola antes, quando afirmava que a escolha dos quatro havia sido premeditada para esse fim. Menos bate-boca, mais “construção de conceitos”. Menos opinião sobre temas proibidos, mais cases das agências representadas. Reparem que nem o LG Renoir inflamou os participantes.

No mais, o ano parece ter começado bem pra quem gosta de conversar (ou ver conversas) sobre o assunto. Sem profissionais vendendo a cura do câncer e falsas ilusões, numa pegada bem mais pé no chão do que se costuma ver por aí.

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