Warner x You Tube. Quem perde é o público.

Pense na seguinte situação. Você tem uma gravadora com dezenas de artistas famosos que fazem músicas que percorrem o mundo inteiro. Naturalmente eles têm milhões de fãs que, por gostar da música, acabam fazendo vídeos cantando, homenageando alguém ou a colocam como plano de fundo para um filmezinho qualquer. E esses vídeos logicamente são hospedados em um site de compartilhamento, geralmente o You Tube.

A dúvida vem à sua cabeça. “Onde estão os meus direitos? Minha música está percorrendo o mundo todo através de vídeos com milhões de visualizações e só o You Tube ganha dinheiro com isso? Como assim?”.

Aí você resolve entrar em contato com eles para um acordo. Alguns anos depois esse acordo expira e na hora de renegociar você não consegue chegar a um denominador comum.

E agora? O que fazer?

De um lado milhares de vídeos publicados de forma espontânea que somados têm bilhões de visualizações. Sua música é divulgada sem você gastar um tostão por isso. Seus artistas ficam ainda mais conhecidos, mais pessoas tem contato com a música e daí surgem vários fãs que consomem os produtos do artista e fazem a roda girar.

Por outro lado, você nota que a empresa que hospeda os vídeos aproveita para lucrar de alguma forma com esses vídeos. Indiretamente tiram proveito da sua música para ganhar dinheiro.

Esse foi o dilema que enfrentou a Warner Music Group (WMG). E resolveu mandar retirar todos os vídeos.

Só que os vídeos são enviados por pessoas, fãs, enfim, gente que não tem nada a ver com esse imbróglio financeiro. Tirar do ar os vídeos não fere ao You Tube, mas a essas milhares de pessoas.

Logo, a decisão de mandar retirar milhões de vídeos com músicas que a WMG tem os direitos, revoltou muitos usuários do You Tube. Uma onda de vídeos em protesto à essa decisão começou a ser publicada a medida que a limpa acontecia. Sobrou até pra uma brasileira.

A confusão naturalmente foi parar nos blogs, sites e jornais do mundo todo pouco tempo depois.

Pra quê?

Fico pensando se o dinheiro que a WGM poderia ganhar do You Tube com esses vídeos supera o que eles economizam em publicidade. Uma publicidade espontânea, gerada por pessoas que estão lá vendendo o seu produto de maneira informal. E sabemos que o poder de influência do boca-a-boca supera qualquer propaganda empurrada guela abaixo.

Será que esse valor é tão alto assim para botar em jogo a imagem da marca? O que você faria no lugar da Warner?

via @fseixas

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