Há quase dois anos, quando começou a ficar mais forte o marketing viral por aqui, aconteceu uma corrida não-declarada em busca de um viralzinho. Todos queriam emplacar um vídeo com milhares de visualizações no You Tube, com o objetivo de se auto-promover de maneira rápida e barata.
Só que após várias tentativas frustradas, natural para algo que é novo, notou-se que o importante não era só aparecer, mas ter algo a dizer. Não bastava só chamar a atenção sem ter conteúdo, já que o conteúdo é o carro chefe para qualquer interação, entretenimento, engajamento do consumidor.
Mesmo assim alguns poucos ainda insistem na fórmula antiga de apenas chamar atenção. O último caso é o da Dell com a paródia da música “Créu”. A idéia é associar “velocidade” com os produtos. Logo, créu-créu-créu-créu, virou dell-dell-dell-dell.
Logo vieram algumas manifestações a favor e muitas contrárias. Tanto que o vídeo mais visualizado não é o que foi publicado oficialmente pela Dell, mas uma republicação com uma série de críticas ao vídeo.

No oficial cerca de 800 visualizações. Na republicação mais de 40 mil.
Nota-se que no final há uma chamada para o Twitter. Antes já havia sido veiculado um anúncio de revista com esse mesmo objetivo. Até aqui pouco mais de 2 mil pessoas estão no Twitter da Dell.
O viralzinho da Dell pode ser considerado bem sucedido? Tudo leva a crer que não, mas quem sabe a Wunderman, responsável pelo vídeo, pode nos convencer do contrário. Qual a sua opinião?









Minha opinião? Eu adoraria ver a cara do Justus assintindo o vídeo com os seus conselheiros. “A equipe inteira está demitida”. rsrsrs
Este é para rasgar o diploma e ir vender suco natural na beira da praia. Sei lá, a gente estuda, pensa em estratégia, tenta fazer o melhor para o cliente e no final você descobre que os clientes tão aprovando isto???
Acho que todo mundo conhecia aquele cara do colégio que era sacaneado por 80% das pessoas da turma e recebia olhares de pena dos outros 20% (incluindo ele mesmo). Todo mundo sabia o nome do cara, o jeito do cara, reconhecia o cara onde quer que ele fosse. O que não significa que ele se dava bem com isso.
Não adianta nada aparecer pra ser ridicularizado.
Acho que o viral da DELL trouxe algum resultado. Se não foi com as 800 visualizações oficiais, talvez com as 40 mil extra oficiais.
Nesse caso, o que deve ter valido para a DELL é ter aparecido mais de 40mil vezes, mesmo que com uma versão “não oficial”.
Embora o viral inicial tenha sido MUITO FRACO, este acabou revertendo em críticas, e visualizações indiretas da marca DELL.
Se a idéia da DELL era simplesmente “aparecer” (porque nome eles já tem), acho que acabou dando certo.
[...] This post was Twitted by nelson_nando – Real-url.org [...]
O problema não é com a Dell, o problema está na agência responsável por esta tragédia. Afinal de contas, quem são os consumidores ou possíveis consumidores de produtos Dell, funkeiros?
Acredito que houve uma falha da Dell em aprovar uma propaganda assim, tive a impressão de ver uma produção de uma fundo de quintal limitada… Como respeitar uma marca que não se respeita, em um mercado com tanta concorrencia?
Eu prefiro o similar que se preza!
Hm, minha opinião diverge.
Todo mundo que comentou antes aqui, querendo ou não, conheceu a música do Créu. Seja numa formatura, pela internet, por um amigo… De alguma forma, esse funk chegou até seu ouvido. A maioria certamente não gosta do funk e abomina que faça todo esse sucesso no nosso país sendo uma letra ofensiva e sem nada de cultura.
Essa é a minha opinião e acho que a galera aqui também acha isso, ou pelo menos boa parte disso. Então a Dell, aproveitando a extensa massa que essa “música” alcançou, fez uma paródia.
Essa paródia, ao meu ver, melhora a percepção da música pois tira o principal “conteúdo” dela: a menção ao ato sexual através de um termo extremamente vulgar e o substitui pela sua marca.
Ou seja, a música deixou de ser ridícula e ofensiva e passou a exaltar somente a marca, a variedade de modelos e rapidez do seu hardware. Se pensar na letra da paródia e somente nela, não há nada de errado, ridículo ou ofensivo. Nem pra outras concorrentes ou para qualquer pessoa.
Portanto, acho válido. Não estou cotando se é boa ou ruim a propaganda, gosto não se discute. Mas estou pensando na apelação ou não de usar essa paródia como via para aparecer na mídia.
Imagino que a maioria achou infame porque a propaganda nos relembra e exalta a apologia à música do Créu. Mas convenhamos… O Créu não fez MAIS sucesso por causa da Dell. Não foi mais tocado por causa da Dell. A Dell não ajudou em nada a proliferar o Créu por aí. Ou seja, com ou sem propaganda da Dell, o Créu continuaria a chegar aos nossos ouvidos.
Desse ponto de vista, a Dell conseguiu recolocar seu nome na mídia o usando o Créu, mas o contrário não é verdadeiro. Por isso acho a propaganda positiva.
O lado ruim, é que veicular a propaganda nos faz não esquecer do maldito Créu. Acredito ser esse o único lado negativo. Não nos deixa esquecer que essa música apelativa é cantada por milhares de pessoas em todo lugar do país. Só que isso é um problema da nossa cultura. A Dell só aproveitou a nossa deixa.
E tanto deu certo que estamos aqui comentando sobre o assunto.
Sei lá. Até entendo o que o Paulo quer dizer, mas acho que esse caso é igual ao da Mariah Carey e o Arrase ao lado do mendigo.
(pra quem não conhece http://arraseaoladodomendigo.blogspot.com/)
sim, estou aqui comentando sobre a Dell. Falando que a marca perdeu muito comigo, que sou um potencial consumidor. Esse tipo de buzz não é bom.
Eu, pelo menos, não acredito nesse papo de “não existe propaganda ruim.”
É, não pensei por esse lado, Pedro.
Se pensar que “Custa menos manter um cliente fiel do que conquistar 10 clientes novos” (aprendi isso em alguma aula de gestão) podem ter pisado na bola mesmo.
Vendo o lado da Dell, pode ser que tenham se arriscado muito tentando abraçar um público com menor probabilidade de se tornarem consumidores fiéis a troco de perder a boa imagem perante outros consumidores já adeptos da marca.
Bom, mas eu não sou de nenhum instituto que faz essas análises de mercado, público alvo e marketing. Espera-se que a empresa que bolou o comercial tenha apresentado pra Dell algum tipo de retorno positivo baseado em análises desse tipo para conseguirem vender a idéia do vídeo.
Em teoria há uma estratégia de mercado em tudo isso. Efeitos colaterais, como o seu caso, podem e normalmente vão acontecer. Vamos ver se a Dell sai ganhando ou perdendo com isso!
O problema está no target, tendo em vista que muita gente vai ver, poucas vão gostar e as que gostam vão comprar o positivo.
Mas não há dúvida que há potencial viral, tendo em vista o mememe que há por volta desse vídeo, não pela sua genialidade mas pela sua ignorância.
Não duvido nada de vídeos parodiando essa peça um tanto “inadequada”.
Quer fazer um viral, faça o bem feito!
Mais do que atingir a milhares ou milhões de pessoas, ao se desenvolver um viral, espera-se uma repercursão positiva, a fim de que os valores representados pela marca sejam transmitidos com clareza e não comprometam sua relação com consumidores ou clientes antigos. Será que vale a pena ganhar alguns novos clientes comprometendo a imagem de seus antigos clientes que ajudaram a conquistar o status que tens hoje?
Faltou seriedade, competencia, respeito, criatividade, etc.
Para mim, um trabalho profissional não se resume a imagens de um produto acompanhando o ritmo de uma paródia tão tosca quanto a música original (e deve-se ter gastado um bom dinheiro com essa #%@$%).
Um projeto viral deve ter criatividade, empenho e muito trabalho (planejamento), como podemos observas nos cases da T-Mobile, invejaveis e excepcionais!
Sìlvio, bizarro mesmo foi a música original fazer o sucesso que fez…
Um viral cujo o único propósito é se espalhar não tem credibilidade. Se não tem credibilidade, é um péssimo uso do conceito de viral.
Sem falar que a Dell perdeu completamente o time da coisa. Créu foi um sucesso no verão de 2008 se não me engano. (não, eu não gostava, mas ela foi realmente um vírus)
Concordo sobre o vídeo estar “queimando” a marca DELL, até porque a música escolhida é de muito mau gosto e não tem relação direta com a seriedade que a marca costuma passar.
Mas, tentei pensar friamente na veiculação do vídeo, que, bem ou mau, atingiu mais de 40 mil visualizações (informações aqui do site).
Sei de minhas limitações quanto ao entendimento de campanhas de marketing, pois minha formação é Matemática e Ciência da Computação, mas ficou claro que o viral (puramente no sentido de divulgar e atingir a grande massa) acabou, de maneira “torta”, funcionando.
Não entendi a meta da DELL, se era atingir um grande público de qualquer jeito, ou atingir um pequeno público com qualidade.
Se foi o primeiro caso, acho que conseguiram atingir a meta. Caso tenha sido o segundo, o tiro saiu pela culatra, pois estão denegrindo a imagem deles, relacionando-os a música do créu.
Concordo com o último post do Sylvio, sobre a credibilidade do viral e a falta de time da DELL. Mas também tenho que olhar pelo outro lado e ver que atingiram muita gente (como no post do Paulo)
A pergunta que fica no ar é: Podemos considerar essa campanha da DELL como um Viral?
ae ziggy, falei que ia passar ae hahaha
acho que para nós esse vídeo representa uma porcaria, mas e quem dança créu? será que não gostou? com esse lance da informatização não é só o cara que ouve mpb que vai comprar um computador, muito menos um publicitário comprar um dell ;)
e ah, muito boa a palestra do eppa! está convidado para vir mais vezes.
falou!
Creio que a Dell, para o público que ela atinge, tenha sido infeliz. Pois são pc’s não baratos e possui uma imagem de seriedade em seus produtos. No mínimo, uma campanha dessas causa estranhamento.
Mas achei válido sim. Não gostei. Só que esta publicidade não é pra mim, deve ser para pessoas de baixa renda. Se elas vão deixar de comprar um pc mais barato e comprar Dell, daí não sei. É uma possibilidade.
E só por falar mal ou bem da marca, já é publicidade de graça. Com essa repercussão toda, me parece que a Dell já foi bem sucedida. Quem que não lembrará deste viral depois de escutar a trilha sonora? Daí, mais uma vez, estaremos fazendo falando da Dell.
“A Dell está sempre tentando inovar a forma com a qual se conectar a seus clientes. O vídeo relativo à dança do Creu nunca teve a intenção de ofender qualquer pessoa, sendo que se houve este sentimento, a Dell desculpa-se publicamente”.
Juceli Azevedo – Diretor de Comunicação Corporativa
A Dell se propagou e se desenvolveu via internet, suas vendas eram feitas em maior parte on line com opções que não existiam no mercado com muita frequencia na forma de motagem dos pcs e configurações que podiam ser alteradas e acrescentadas. A marca é reconhecida e tem qualidade, criatividade e dentro deste contexto, com este grande desenvolvimento e sucesso, a marca está sendo aplicada em lojas comerciais em shoppings, sendo que quando um produto de qualidade entra em uma loja que pode parcelar em dezenas de vezes, ela acaba atingindo e fazendo parte da compra de pessoas que não tem entendimento de capacidade e qualidade do equipamento, este viral pode ser entendido como uma maneira não adotada até o momento, aplicada para este tipo de pessoa que está sendo atingida pela marca agora , a marca tem 24 anos de mercado, a internet no brasil tem 14 anos, o computador para muitos é para ver emails e entrar na internet não é utilizado para trabalho ou criações, talvez a ideia em si seria acompanhar um ritmo que cresceu no brasil levando a marca Dell, um ritmo que leva letras conturbadas mais uma batida que está em todas as festas, baladas e finais de semana. O erro está em si na música escolhida,pois a palavra crew é extremamente conturbada e explicita, mesmo assim o brasil aceitou e fez dela a mais tocada. A batida funk já é aceita em nossos ouvidos, pelo menos indiretamente, tenha certeza ela vai tocar em todos lugares que você for. As criticas geram respostas, o felizardo criador do viral, foi feliz, hoje ele deve estar pensando diferente, se ele não for amador, utilizou de uma prática muito mal aplicada e inficaz.
Juro que quando eu recebi esse video, achei que era uma brincadeira com a musica e a sonoridade com a marca. Na verdade nem consegui ver inteiro. Mas depois soube que era mesmo real…Pff!
Acho que a criatividade já foi melhor…
Mas enfim…temos que atingir vários publicos…vai que deu certo?!
Abraço Ziggy!
Então Tábata, se a criatividade foi acertiva ou não eu realmente não consigo afirmar, até porque o público alvo talvez tenha sido a população de baixa renda, e que talvez se identifique com a música.
Se este for o caso, as pessoas quando ouvirem a música certamente lembrarão da DELL (acho que depois de tanta discussão até eu lembrarei).
Imagine então, se as pessoas que compram um PC simples optarem por um PELL?
Acredito que possa ter sido um bom negócio, somente pela repercusão.
Abraços,
RMR.
Aff Rodrigo, se RMR for uma agência quero nunca precisar dela.
Se o público alvo é a população de baixa renda, a melhor mídia com certeza não é o youtube.
Relacionar um produto de alta tecnologia, um produto inteligente com uma música vulgar, com uma letra ignorante, com certeza não é o caminho.
Não é possível que ainda existam pessoas que acreditem que o importante é aparecer, independente de como.
E outra dúvida que surge é: 40mil visualizações é bastante? É suficiente pra considerar o vídeo um viral? Ou o que define um viral não é a sua capacidade de atingir várias pessoas, mas o seu conteúdo e talvez um “formato” próprio da internet?
Engraçado como um video de 1 minuto acaba com a imagem positiva que tinha da Dell. É hora de repensar a minha próxima compra…
Vinícius,
Como resposta a sua primeira pergunta: NÃO, RMR não é nem será uma agência, são as iniciais do meu nome.
Quanto à população de “baixa renda”, você pode ler alguns posts acima, onde esse termo já foi relacionado com pessoas que compram PCs mais baratos.
Quanto ao Youtube, você realmente acha que ele não é popular e de fácil acesso a população de “baixa renda”?
Mesmo assim o vídeo poderia ser veiculado por e-mail, pendrive de mão em mão, sei lá …. qualquer outra mídia.
Quanto à escolha da música, e sua vinculação com a marca da DELL, eu mesmo alguns posts acima (não sei se você leu a discussão inteira), já citei que foi um “tiro no pé”, e que o vídeo pode estar “queimando” a marca DELL.
Esperava que os posts após o meu “respondessem” as perguntas e não às repeti-se. Essa eu já havia dito: “Podemos considerar essa campanha da DELL como um Viral?”
Bem, não pretendo tornar isso um trauma para quem lê a discussão e nem uma disputa pessoal, apenas falei minha opinião, e espero ter contribuído com alguns participantes.
Abraço,
Rodrigo-RMR
Se o viral atingiu 40 mil visualisações de um vídeo que critica a tua marca, que (me parece ser o caso aqui) desconstrói uma imagem sólida como a que a Dell já tinha, e gera discussões negativas em um meio de potenciais clientes (blogs e afins), temos um caso clássico de “tiro-no-pé”.
Porém, não dá para desconsiderar de todo a repercussão do vídeo que, afinal de contas, acabou por atingir muito mais público em função das discussões internet afora do que o número de visualizações expressado.
Mas considerar se valeu a pena ou não, são outros quinhentos.
A exemplo do Pedro, também não acredito nessa conversa de que “não existe propaganda ruim” – existe sim. Acredito que qualquer tipo de comunicação (“oficial” ou não) deva ser muito bem pensada e repensada.
A mim parece muito mais facil produzir publicidade de forma cuidadosa, com o intuito de preservar e fortalecer uma grande marca do que consertá-la depois de um marketing aparentemente mal pensado.
O vídeo me soou apressado, amador, dissonante da imagem da empresa e fora do tempo. Se houvesse sido feito na época em que a música era um “boom”, eu chegaria a titubear antes de expressar uma opinião. Mas ela provavelmente seria a mesma.
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be entertained