Na segunda-feira, eu e mais algumas pessoas tivemos a oportunidade de passar uma hora batendo um papo com Mark Zuckerberg, criador do Facebook. Com ar de gurizão e quase nada da famosa timidez, Zuckerberg se submeteu à nossa sabatina. Como uma hora rende muito assunto, embora não tanto quanto gostaríamos, vou destacar aqui apenas o que mais me chamou a atenção.

Praticamente em todas as respostas às nossas perguntas, Zuckerberg enfatizou as premissas básicas do Facebook: conectar pessoas (amigos e familiares, com quem já se tem um laço) e possibilitar o compartilhamento de informações de forma segura. Isso, ele acredita, é garantido pela veracidade dos perfis, já que mais que estar em comunidades e encontrando pessoas novas, o objetivo do Facebook é fortalecer os laços já existentes.

Essa essência, porém, pode ser um freio para sua adoção em determinados lugares, como no Brasil, onde temos a mania de xeretar a vida alheia nas redes das quais participamos. Zuckerberg acredita que esse tipo de problema não existirá – embora tenha confessado que não conhece nada da cultura do país -, já que o Facebook está cada vez mais flexível quanto a configurações e níveis de privacidade. Isso mostrou que ele também não entendeu muito a pergunta, mas sigamos. Ele confia muito que, se oferecer um produto bom, com muitas funcionalidades, as pessoas o adotarão, simples assim. Não acredito muito, mas quem falou foi o dono de um negócio de US$ 6 bi, deve ter algum crédito.

Entretanto, o Facebook não está de braços cruzados esperando que os usuários caiam de pára-quedas no site. E aí entra em cena a menina dos olhos de Zuckerberg, mencionada em 10 de 10 frases ditas por ele: o Facebook Connect. Trocando em miúdos, é uma API que permite a integração do Facebook com outros sites, onde os usuários utilizam sua identidade na rede social também nos sites integrados, um esquema bem similar ao OpenID (lá no Tecnocracia tem uma explicação mais mastigada, vale conferir). Usando uma identidade única sem a necessidade de criar um cadastro em cada lugar, e com mais algumas facilidades de publicação de conteúdos, a idéia é tornar o Facebook o centro das navegações para seus usuários, o grande hub da vida online das pessoas em todos os aspectos.

Por isso, inclusive, Zuckerberg define o Facebook como uma social utility – algo realmente funcional no âmbito de buscar e compartilhar informações – e não como uma simples rede social usada “apenas” para conectar as pessoas e buscar informações sobre a vida alheia. Já não basta conectar, é preciso compartilhar.

E o Brasil nessa brincadeira? Bom, ele mereceu holofotes porque desde o início do ano cresceu 155%, chegando a 1.3 milhão de usuários – embora ainda esteja longe dos 24 milhões do Orkut. Já mereceu também a oficina para desenvolvedores e otras cositas más, para incentivar o povo a adotá-lo em larga escala por aqui. Os planos para dominação do mercado brasileiro, porém, não envolvem um escritório no país, pelo menos por enquanto. Antes, o número de usuário precisa fazer por merecer. E aí, será que com todo esse esforço, ou não-esforço, vai?

Mais visões sobre o encontro: Tecnocracia, E-code, Startupi

Este post foi feito com as minhas impressões, as anotações do Netto e as fotos do Eric Messa.

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