Posts by: Ariel Gajardo

Obama e Scott Goodstein versus Shepard Fairey na Campus Party

Onze entre dez publicitários do mundo tem a campanha do Obama à presidência como um case a ser imitado, replicado, estudado e idolatrado. Idolatria que às vezes chega a transbordar questões meramente analíticas do case em si e lambem perigosamente o âmbito político. Como se além de manjar de comunicação, Obama e a sua trupe também fossem mártires de um novo milênio voltado à sustentabilidade e às relações internacionais livres de rusgas e inconseqüências.

Semana passada, no Campus Party, Scott Goodstein – um dos coordenadores da área de internet da equipe – esteve no palco principal do evento falando um pouco do uso das redes sociais na campanha. Nada que não tenhamos lido nas centenas de blogs que falam desse nosso agitado mercado. Algumas frases relevantes, alguns vários números impressionantes. Aquela coisa de sempre.

Mas o que me marcou mesmo foi o momento em que ele comentou como conseguiu o direito de utilizar o rosto do presidente estilizado por Shepard Fairey durante o levante obamístico (ou barackiano).

Imagem de Amostra do You Tube

Lembrei de um texto do site do artista publicado no dia 28 de dezembro em que o mesmo comenta o quão decepcionado estava depois desse um ano do presidente no poder. Shepard, o cara que há duas décadas atrás consolidou o sticker como manifestação artística com o seu Obey Giant e que inspirou milhões de pessoas com apenas uma imagem, decepcionado com as promessas não cumpridas e com a falta de coragem do seu objeto de arte.

O que me chama a atenção é que depois do ícone ganhar o mundo como avatar, widget, cartaz, quadro e tudo o mais, representando toda a esperança global de que as coisas poderiam ser diferentes, o artista se vê quase sem voz pra dizer ao mesmo mundo que não tem concordado muito com como as coisas vem sendo conduzidas. Uma mensagem que, se comparada à campanha de Obama, não ganha escala sem milhares de pessoas mobilizando intenções e uma máquina estratégica direcionada a convencer o(s) povo(s) do discurso de mudança.

Parece até que o artista está experimentando do seu próprio veneno, sem conseguir avisar ninguém disso.

Imagem do blog Talk2.

Unique Types – Fontes inspiradas pela AACD

No Unique Types os designers são convidados a fazerem versões únicas e especiais de fontes, inspiradas nas crianças da AACD. Elas serão disponibilizadas gratuitamente sob a licença Creative Commons para agências e anunciantes. Assim, quando as fontes forem pra rua através dos veículos, os anúncios ajudarão a divulgar a causa da entidade, que cuida de pessoas portadoras de deficiência física há quase 60 anos.

Pra quem curte defesas de conceitos criativos – meu caso -, vale dar uma olhada no material que já está no site.

A criação é da Click, com a produção da Colméia. Aliás, vi no blog deles.

Wikimapa – Colaborativismo e inserção social

Da Wikipédia à Desciclopédia abundam as possibilidades onde o colaborativismo é protagonista, através das mais diversas motivações e em nome dos mais variados fins. No caso da Wikimap, a idéia é mapear postos de saúde, praças, bares, escolas, lugares para lazer, bibliotecas comunitárias e lan houses em comunidades de baixa renda de todo o país.

Nessa fase piloto do projeto são cinco comunidades participantes no Rio de Janeiro: Complexo do Alemão, Complexo da Maré, Cidade de Deus, Santa Marta e Pavão-Pavãozinho. Desconhecidos até mesmo pela população local, esses lugares escondidos no meio das milhares de ruelas são “pinzados” por moradores da própria região, através de um celular.

Confesso que cheguei a imaginar que algo mais ou menos parecido pudesse acontecer caso o Alles Blau tivesse continuado e evoluído: pessoas de uma região colaborando com a comunidade informando sobre sua rua ou localidade através de um ambiente de troca de conteúdo, e de quebra aprendendo a viver em sociedade. Lembro de como fiquei empolgado com essa possibilidade. Imagino o quão empolgante é também para os adolescentes que participam da iniciativa, tendo a chance de contribuir com a sua família, por meio da ajuda de custo; com a comunidade, através do serviço prestado; e consigo mesmos, com a bolsa de estudos numa faculdade que podem ganhar.

Imagem de Amostra do You Tube

Vale dar uma olhada no blog do projeto. A iniciativa é do Programa Rede Jovem com o apoio da Oi Futuro.

Vi no Fresh Creation.

Relação Guerrilheira – Postos Ale e Espalhe (com promoção do Flamengo)

Não tenho vocação para garoto propaganda, muito menos de produtos que eu não uso. Ultimamente, quando sou convidado em nome deste blog para alguma ação ou quando ganho algum mimo, a idéia tem sido sempre tentar subverter e reverter aquilo para algum desconhecido ou para os leitores. Mas confesso que conseguiram me fisgar com esse lance de me levar ao Maracanã para ver o Flamengo jogar, tendo que aparecer numa foto gigante do templo do futebol. Acabei topando de cara. Mas não sem antes pensar em algum tipo de conteúdo que realmente servisse aos leitores. Por isso, sugeri ao pessoal da Espalhe que nos respondessem umas perguntinhas sobre essa parceria guerrilheira com os Postos Ale, que tem rendido muita coisa na rua desde o ano passado. Quem nos respondeu foi o Gustavo Fortes, sócio da agência.

<boiada>

Antes disso, para os leitores rubro-negros: ganhamos camisetas promocionais da Ale e uma camiseta oficial do Todo Poderoso para dar aos primeiros que encontrarem este que vos escreve no meio da Magnética. Basta navegar pela imensa imagem à minha procura, comentar neste post (que será moderado) e comemorar essa arrancada alucinante no final do campeonato devidamente fardado. O primeiro que comentar com um link do print da minha localização leva o manto oficial, o segundo e o terceiro levam as camisetas promocionais. Uma dica: além de estar ao lado de um frentista da Ale – que me confessou na partida ser tricolete flor tricolor -, estou muito bem acompanhado.

arielebolao
Update by Ziggy: Ariel + Mulher Bolão (achou que ia escapar né malandrão? há!)

UPDATE 1: Já temos os três vencedores que me encontraram na foto gigante! Amanhã estou entrando em contato com cada um. Parabéns. :)

UPDATE 2: Os vencedores foram:

Allan Alves: Camisa promocional.

Carlos Alberto Valério Jr.: Camisa promocional.

Mariana Dorneles: Camisa oficial do Mengão.

O Leandro ou a Gabi da Espalhe vão entrar em contato com vocês. Parabéns. :)

</boiada>

Agora, ao que interessa:

SimViral: Depois do Bonecão do Posto, do Livro para Voar, do Bombar no Posto Ale e das ações envolvendo o patrocínio do Flamengo podemos afirmar que a Ale é o cliente mais guerrilheiro de vocês? Como tem funcionado o relacionamento agência / cliente no dia-a-dia?

Gustavo Fortes: Sem dúvida a ALE combustíveis é um dos nossos principais clientes hoje. Não digo isso baseado apenas na verba investida, mas principalmente no entendimento do conceito de Marketing de Guerrilha. O marketing da ALE está comprometido totalmente com a equação 80-20: gastar mais (80%) para criar conteúdos surpreendentes que façam as pessoas falarem de sua marca e menos na propagação deste conteúdo que se espalha naturalmente.  Enquanto a maioria das empresas gasta 20 para criar as coisas de sempre e 80 para tentar massificá-las.

Nosso relacionamento com o cliente está estruturado da seguinte forma: validamos plataformas de conteúdo dentro de um planejamento. E, ao longo do ano, colocamos estas plataformas no ar, ao mesmo tempo que temos liberdade para desenvolver micro interações baseadas no conteúdo previamente aprovado. Isto nos dá liberdade e agilidade para surfar os hypes, abortar iniciativas etc.

SV: Dá pra resumir pra gente os resultados que vocês tiveram com todas as ações? Como vocês tem mensurado o sucesso ou o infortúnio de cada delas? No final das contas, o trabalho tem sido positivo?

GF: A venda de combustível é fortemente baseada em confiança e simpatia pelo prestador de serviço (o posto). Neste sentido, encontramos métricas junto com o cliente para avaliar a qualidade e quantidade da conversa que a marca ALE está tendo com potenciais consumidores e assim poder avaliar se estamos caminhando no rumo de construir uma relação cada vez maior de confiança e simpatia com eles. De uma forma geral, avaliamos a repercussão das ações, o interesse gerado, o número de pessoas que conseguimos trazer para a plataforma online de ALE etc. Existem também os objetivos específicos. Por exemplo, o Bonecão de Posto tinha como objetivo chamar atenção em Natal, que a marca, localmente muito forte, SAT passou a se chamar ALE depois da fusão. Para isso, fizemos uma loucura que foi um boneco de posto do tamanho do Cristo Redentor em uma cidade com ventos de 70 km/h. Criamos um novo ponto turístico visto e comentado por toda a cidade. Colocamos na boca da cidade a pergunta: “Quem fez esta loucura?”. “E a resposta: o Posto ALE que é o antigo SAT”.

SV: Muitos não entendem a razão de se fazer um boneco de posto gigante ou de levar a uma banda que agrada ao público teen para tocar num posto de gasolina. Duvidam do posicionamento da marca e até julgam como erro estratégico. Do outro lado, olhando com outros olhos, é evidente que um dos principais focos de trabalho da Espalhe para os Postos Ale foi a mídia espontânea – ou estou errado? Você acha que profissionais e clientes ainda estão longe de compreender o poder da exposição na mídia para a comunicação? Ainda é difícil vender esse benefício para as empresas?

GF: A Ale fez um estudo completo de branding que terminou no meio de 2008 que deu o direcionamento para o posicionamento da marca diante do mercado de distribuição de combustíveis. Este mercado mostrava players com dezenas de anos de estrada e com uma comunicação extremamente tradicional. Para se diferenciar, a Ale decidiu seguir o conceito de inovação na sua comunicação. Desta forma, direcionar a comunicação para internet e guerrilha faz todo o sentido. Todas as ações guerrilhas que temos feito vão em linha com isto.

O Bombar no Posto Ale com a banda Fresno partiu do pressuposto de que esta banda é a mais presente e adorada na internet /redes sociais. Nosso objetivo era bombar o site da Ale, mas também gerar o máximo de atitude para a marca, tornando o consumidor Fã da marca. Isto foi feito com os pop-ups shows que levaram até centenas de pessoas a um posto de combustível até reportagens incríveis em veículos como Rede Globo, Estadão, Folha de S. Paulo. Mais ainda as comumidades em Orkut, o Twitter e outras redes sociais passaram a ter conversas com MILHARES de respostas utilizando a marca Ale. Tudo isto junto significa construção de marca para um público agora e do futuro. De uma marca inovadora que já está entre as quatro maiores do país e almeja ser a primeira.

Dito isto, eu acredito que a maioria das pessoas impactadas entenda sim a razão de ser destas as ações. As pessoas que não entendem são os profissionais ainda viciados e dependentes da mídia de massa. Porque para quem está acostumado a dar um único e gigante tiro de canhão, a mensagem tem que ser o mais homogênea possível. Ou seja, uma vez que eles vão “falar”, ou acham que vão falar, com 80 milhões de pessoas de uma só vez, eles precisam pensar numa mensagem que seja compreensível para todos.

Isso não existe mais. Quem tenta falar com todo mundo, não fala com ninguém, simplesmente porque as pessoas agora tem opção de ver o que querem ver.

Se você perguntar para as centenas de milhares de fãs do Fresno no Orkut, eles entendem o que a ALE fez SÓ PRA ELES. Se perguntar para os milhões de torcedores do flamengo e para amantes de futebol, eles entendem o que a ALE fez SÓ PRA ELES.  E são estas pessoas diretamente impactadas pelo conteúdo das ações de guerrilha que passam a marca ALE pra frente, no boca-a-boca, de uma forma extremamente positiva para novos públicos que nós nem tínhamos pensado em atingir.

Ou seja, os fãs do Fresno “perseguiam” a van ALE/Fresno até chegar no posto ALE nos carros de seus pais (quando eram menores de idade), ou seja, seus pais também foram impactados (além das milhares de pessoas que passaram perto do posto na hora do show).  Os flamenguistas mostraram no escritório sua foto no Maraca para seus amigos torcedores de outros times. Nós trabalhamos com boca-a-boca e, para pessoas passarem uma mensagem pra frente espontaneamente, você tem que envolvê-las em assuntos que elas gostam. Em assuntos que empolgam a elas.

SV: O desejo de todo mundo que gosta de Marketing de Guerrilha era ver no Brasil o que já acontece lá fora: empresas de porte investindo uma boa parte do seu orçamento em guerrilha. Com tudo o que aconteceu em 2008 e 2009 para a Ale já dá pra dizer que estamos realizando um sonho?

GF: Estamos realizando um sonho! Não apenas com os Postos ALE, mas com Trident, Samsung, SantaClara, Fiat, Fox, Microsoft … Empresas que não menosprezam a inteligência de seus consumidores e sabem que precisam ser interessantes e surpreendentes para que estes tenham vontade de conversar.

SV: E para 2010? Como vai ficar a parceria Espalhe e Postos Ale? Promete?

GF: A ALE investiu a maior parte de seu orçamento neste ano em ações de Marketing de Guerrilha e na construção de uma plataforma online robusta para “hospedar” o conteúdo gerado nestas ações. Nosso objetivo, passado pelo cliente, é que a marca ALE seja reconhecida como a marca que reinventou a relação do consumidor com o posto de serviço. A perspectiva para o ano que vem é que cada vez mais a criatividade de guerrilha entre em todos os esforços de comunicação da marca. Do endomarketing até mesmo na mídia de massa.

500 mil livros pelo novo romance do Veríssimo – Banco de Livros

Meio milhão de livros doados. Esse é o preço que as pessoas terão que “pagar” para poder ter acesso nas livrarias ao novo romance de Luis Fernando Veríssimo, Os Espiões. No site Livro Inédito, a entidade Banco de Livros da Fundação Gaúcha de Bancos Sociais prendeu uma cópia do romance e promete liberar a publicação assim que 500 mil livros forem doados a eles.

Como se já não bastasse o mais novo lançamento de um dos maiores autores do país, a agência Escala conseguiu colocar no mesmo parágrafo esforço colaborativo e atitude do bem para dar aquele empurrão numa ação que confunde a divulgação de Os Espiões e uma campanha para a doação de livros.

No site é possível encontrar os postos de coleta e os telefones de contato para quem quer doar mas não é do Rio Grande do Sul.

Dica do Lucas Bergallo.

Ônibus do Planeta Terra 2009

No dia 7 de novembro começa o Planeta Terra, já consolidado festival de bandas relativamente desconhecidas do grande público que provou ser possível fazer um evento musical de nível sem Capitais Iniciais e Skanks, atropelando problemas graves na organização de festivais concorrentes.

Passando longe da escolha das bandas e da estrutura que será montada no Playcenter, fomos convidados para um encontro regado a quitutes de primeira e cerveja gelada promovido pela DM9, onde recebemos em primeira mão materiais da campanha de divulgação e belas credenciais. A idéia era retomar o contato com os Embaixadores do ano passado. Mesmo que num approuch bem menos intimista – mas não menos exclusivo.

Além da campanha nas ditas mídias convencionais, o acontecimento que vale para nós é a iniciativa de colocar um ônibus bem no meio da brincadeira toda. O dito cujo vai se transformar numa espécie de camarote diferenciado, onde fãs disputarão o acesso e o batismo do símbolo máximo do rock e mote da campanha. Existem duas maneiras de participar: você pode tanto criar um “latão”, atochá-lo de diversão e divulgar para os seus amigos, como seguir os ônibus mais transgressores para curtir aquele lazer entre um show e outro. Terão acesso ao camarote o dono e aqueles que seguirem o ônibus vencedor, numa disputa que acontecerá em duas fases.

A boa experiência na divulgação utilizando os Embaixadores no ano passado parece ter dado respaldo para a inovação nesse ano, mais colhuda e mais social. Não à toa você “segue” um ônibus. Não à toa o cadastro é integrado com o Twitter e o Facebook, que facilitam os trâmites cadastrais e deixam a disseminação a um clique.

No mais, ganhamos dois ingressos para o Planeta Terra para dar aos leitores do SimViral. Ainda estamos bolando como vamos dar essa boiada para vocês, aproveitando também o frenesi atrás das entradas. Em breve vamos aprontar muita confusão com essa turma do barulho.

Invisible Dogs – Improv Everywhere

Antes mesmo da solidificação do Brasil como o país da botecagem online, os Flash Mobs já encantavam toda uma nobre casta de especialistas em marketing de guerrilha, profissionais da web 1.0 e publicitários descolados.

Hoje essa modalidade experimenta do seu próprio veneno: quem deveria espalhar, passou a mobilizar virtualmente boicotes às ações – mesmo que sem querer, mesmo que só com aquela twittadinha maliciosa. Abateu-se uma preguiça com a deturpação dos conceitos e instituiu-se a ressaca de Flash Mobs.

Não é de se imaginar o contrário, levando em conta o que se vê por aí com tentativas de se exibir superantenado nas novidades, mas que passam longe do bom senso. É o risco que se corre quando a publicidade tenta se apropriar de atitudes genuínas para fins nem sempre muito amigáveis lá no final das contas. E aí, dá-lhe contratar dançarinos, atores, ensaiar, escolher os melhores ângulos para o costumeiro vídeo-registro…

É um tanto esquizofrênico desembolsar cachês para 400 atores com a missão de dançar numa praça e associar isso às palavras “Flash” e “Mob”. Muito mais roots e interessante, convenhamos, é mobilizar a participação de 2000 pessoas nas redes sociais apenas através do poder da mensagem, geralmente sem sentido. Mais roots, mas mais difícil.

Mesmo assim, ainda existem esperanças pra quem curte aquela nostalgia gostosa. O caminho da salvação está nas mãos do Improv Everywhere, sempre citados por aqui. O coletivo de anônimos é responsável tanto pela ascensão, como pela recente “profissionalização” desse tipo de mobilização, sem perder aquela pegada de outrora.

Nesse último fim de semana, por exemplo, o grupo reuniu 2000 pessoas para um passeio coletivo com cães invisíveis pelas ruas do Brooklyn.

Mesmo que minimamente organizado, o resultado é a comoção coletiva(!), viralização(!), buzz(!) nas ruas… No final do dia, o interessante é imaginar como um formato pode ainda ser espremido, de maneira relevante e sem perder a essência das suas origens. Basta ser verdadeiro, basta ser genuíno.

Por isso, quando for criticar um Flash Mob, imagine que o problema nem sempre está na mecânica do carro. Canalize toda a sua ira de 140 caracteres para a peça que está entre o banco e o volante, guiando a coisa toda.

Quando rolarem vídeos do acontecimento juro que atualizo o post.

Metal – Dia do Rock!

Hoje é dia balançar a cabeleira e comer morcegos. Hoje é dia do rock, porra! Nada mais apropriado para uma segunda-feira.

Para não deixar o dia passar em branco, o pessoal do LDC – coletivo experimental da agência Loducca – bolou essa simpática intervenção. Os caras saíram colando nas lixeiras de coleta seletiva de São Paulo stickers lembrando a data, comemorada desde o Live Aid de 1985.

Eles ainda disponibilizaram material para quem quiser comemorar o dia também:

- Avatar para o Blip
Blipe hoje só as pérolas que fizeram e fazem você querer gritar como um louco.

- Avatar para o Twitter
Siga o @diadorock e twitte com a hashtag #DiaDoRock lembranças dos melhores shows que você já foi, os melhores moshes em que você já se jogou e os melhores stage dives que você já deu na vida.

- Sticker para imprimir e colar por aí
Os caras ainda garantem uma postagem da foto da sua intervenção rocker no blog da ação.

Dica do Tozzini.

Amor e Ódio – Jogando em todas as posições

Tenho pensado muito sobre o perfil de profissional de agência que acaba jogando em várias posições, levando alguns exemplos que me rodeaim em conta. Tenho refletido também no quanto isso acaba escalonando para todo o resto da produção criativa de trabalhos, da formatação de agências, do que se ensina como processo nos cursos de Publicidade e Propaganda. São só punhetações conceituais que não valem um aprofundamento sério no momento – afinal, quem sou eu para prever o futuro ou ditar alguma tendência de mercado? Mas é curioso, ao menos pra mim, como os trabalhos que mais me deixam de cara parecem ter sido elaborados por pessoas com perfis nada específicos e em lugares que valorizam isso. Não são DAs, redatores, planners, analistas de mídias sociais. Mas são de tudo um pouco, também. O fato abre uma oportunidade única para um estupro dos recursos que as ferramentas hoje possibilitam, que a socialização online nos ensina a cada nova ferramenta que surge e que boas idéias conseguem misturar com facilidade.

Levando isso em conta, um dos projetos que mais me chamou a atenção recentemente foi o Amor e Ódio. Conhecendo um dos caras que participou da concepção e execução, o que expus acima meio que se confirma pra mim. O projeto mais parece uma traquitana, que envolve QR Code, Mobile, Twitter e um livro (!) único para divulgar uma loja online de livros – a EditorasOnline. Para grudar tudo, um conceito cabeçudo que estrapola a importância de cada instrumento envolvido. Para ficar por dentro, confira o site-case que foi inscrito em Cannes.

Antes de ser julgado como datado – afinal posts sobre o projeto abundam por aí -, resolvi enriquecer as minhas palavras com algumas idéias que troquei por e-mail com o Coletivo responsável pelo conceito e pela execução do projeto.

Como surgiu a idéia do Amor e Ódio? Partiram de onde e como chegaram no resultado final?

Tudo partiu do desafio de divulgar uma pequenina concorrente do Submarino, a EditorasOnline. Sem conhecimento de marca, sem diferenciação e com baixíssima verba, entendemos nisso uma oportunidade para um pensamento novo. A estratégia foi criar um livro diferente de tudo que existe no mundo e vendê-lo exclusivamente no site da Editorasonline. Nosso insight foi criar um livro como a internet: colaborativo, open source e dinâmico. Sabíamos que uma agência de publicidade como a DM9 não poderia assinar esse livro, pois estávamos falando de um projeto literário. Por isso criamos um coletivo, o C.A.O.S. (Coletivo de Amor e Ódio em Segundos), que reuniu profissionais de diferentes áreas da DM9 e também artistas e designers de fora da agência. Assim nasceu o Livro Vivo.

Temos centenas de perfis coporativos irrelevantes no Twitter e o QR Code vem sendo usado para substituir os famosos cupons promocionais nas embalagens de produtos. Mesmo ainda se tratando de novidades, vocês acham que já estamos vivendo uma espécie burocratização criativa do uso comercial desses instrumentos?

O QR code no Japão é muito utilizado pelas marcas de uma forma extremamente funcional para os consumidores. Mais do que promoções, ele agrega informação sobre os produtos e todo tipo conteúdo de relevante para as pessoas. No Brasil, seu uso ainda é embrionário. Sobre o Twitter podemos dizer algo parecido: as marcas estão começando a descobrir formas de utilizá-lo. É um caminho natural existirem tentativas bem e as mal sucedidas (que você chama de burocratizadas). As que terão futuro, serão certamente as bem sucedidas. As burocratas, não sendo relevantes, morrerão sem dor.

Como foi integrar as ferramentas subvertendo o uso delas para um propósito inicial tão “tradicional”, que a princípio é ler um livro?

Foi instigante. Utilizamos um blog para narrar todas as dificuldades para colocar tudo isso em prática, de forma “legal”. Nosso ponto de partida sempre foi subverter o formato tradicional do livro. Pesquisamos muito o que tem-se feito no mundo, e está tudo fundamentalmente ligado à novas plataformas tecnológicas (o papel digital, livros com displays digitais, etc). O interessante do projeto do Livro Vivo foi conseguir gerar um conteúdo dinâmico para o papel sem ter de criar uma nova tecnologia. Demos um uso novo para uma tecnologia existente – o QR Code. Ao invés de utilizarmos o QR Code como informação adicional, utilizamos como um link a um conteúdo dinâmico.

E este conteúdo é gerado pelos nossos seguidores no Twitter. Trackeamos em tempo real as palavras #amor e #ódio. As melhores frases viraram stickers que foram espalhados pelas ruas de SP. Os próprios stickers também tinham conteúdo randômico, instigando a curiosidade das pessoas. Essa estratégia de guerrilha foi fundamental para aproximarmos o projeto do dia-a-dia das pessoas, e gerar boca-a-boca. As imagens estão em nosso Flickr.

Imagem de Amostra do You Tube

Parece-me que o Amor e Ódio tem potencial para evoluir constantemente e servir como base para mudar a forma como lemos livros hoje em dia.  Como você imagina o projeto evoluindo daqui pra frente? Ele tem previsão de permanecer no ar, expandir-se? O que vai rolar daqui pra frente?

O projeto do livro vivo deve continuar. Entendemos ele como um laboratório. Ele poderia ganhar versões em outras línguas, ou até mesmo mudar seu tema (“instantes de amor e ódio”) para outro assunto interessante. Ainda não sabemos, estamos estudando. Mas o que talvez seja mais interessante que o próprio livro, é a possibilidade que ele gera para publicações impressas de todo o tipo. Livros acadêmicos que não envelhecessem seu conteúdo, estudos e pesquisas com links para descobertas recentes, revistas semanais conectadas à notícias do último minuto. Muita coisa ainda pode acontecer.

De Alfonso Cuarón ao Movie Mobz

Numa dessas ironias da vida, chegou pra mim por e-mail esse vídeo abaixo, onde o diretor Alfonso Cuarón (“Y tu mamá también” e “Filhos da Esperança”), entre metáforas e pensamentos filosóficos sobre a vida e o comportamento humano, discorre acerca do mercado cinematográfico atual. Ele me foi enviado por um amigo que, por conta, estuda todos os detalhes do cinema e tem um apego tremendo aos vários clichês do discurso da indústria que ainda o domina. Resumindo, ele é daqueles que não baixa filmes e isso meio que explica toda a relação dele com a sétima arte.

Imagem de Amostra do You Tube

No vídeo gravado na Campus Party Iberoamericano do ano passado, em San Salvador, Cuarón surpreende e dá uma lição de maturidade. Prova que assimilou e compreendeu os novos formatos e diz que eles estão aí para serem aproveitados. Destaca ainda que isso já está acontecendo, obviamente com uma geração de diretores cada vez mais nova – vide o filme brasileiro Apenas o Fim, que lembrei enquanto ouvia o áudio da palestra. Ao mesmo tempo, não levanta bandeiras, afirmando que o melhor caminho a buscar-se no mercado não é a revolução (“guerras não levam a nada”) e sim a evolução, e que a pirataria (aquela de Camelô) tem, às vezes, um lado negativo que a maioria não conhece, mas financia. Como o patrocínio do narcotráfico.

Deixando várias coisas de lado que não caberiam neste falatório, Cuarón carimba a idéia de que único modelo possível de se fiar atualmente é o da experimentação. Levando isso em conta, existe um campo enorme a ser explorado, valendo para todas as áreas envolvidas: preço, formato, conteúdo, distribuição, divulgação. E isso vale principalmente para aqueles que estão começando os seus primeiros projetos.

No Pará, por exemplo, as novas bandas de tecnobrega encontraram a sua maneira e o seu modelo para crescer e mostrar seu trabalho, com um esquema de propaganda e distribuição que parece mambembe, mas que funciona muito bem para a realidade local. Projetos onde você propositalmente perde um livro por aí esperando que alguém o leia e passe adiante (1, 2), somados a uma disponibilização online gratuita (chutando!), poderiam servir também como catapultas no mundo físico e virtual para novos escritores que não tem espaço e dinheiro para investir mais que num cartão de visitas. Vai saber!

Assim como comecei, assim termino. No cinema, a rede social MovieMobz dá dicas do que pode vir a ser uma das milhões de respostas pra todo esse papo no escuro. Sendo simplista, muito provavelmente a engrenagem principal que possibilita o site é ter o cacife para comprar os filmes e o poder de ter as salas de cinema nos bolsos. Ou seja, numa mão a faca e na outra o queijo. Mesmo assim, a distribuidora Rain, que mantém o projeto no ar, jogou na mesa aquele elemento colaborativo primordial que dá brechas à divulgação e exibição de projetos independentes em salas importantes do Brasil. Filmes que sem um esforço de comunicação tradicional passariam em branco. Tudo isso, claro, se os diretores tiverem a capacidade de mobilizar os espectadores e se o conteúdo agradar ao público. Uma boa possibilidade para pessoas que, iguais ao meu amigo, rejeitam formatos menos ortodoxos, como as micro telas dos celulares e do YouTube. Para a distribuidora, fica a “garantia” da bilheteria – podendo até cobrar menos pelas entradas! – e a exclusão em parte daquele risco que se corre quase sempre que se exibe um filme sem aquele apelo comercial hollywoodiano e sem os milhões de publicidade.

Agora, como ficar bilhardário com entretenimento hoje em dia e encher os bolsos de verdinhas com todo essa teoria ninguém descobriu ainda. Nem eu, nem o meu amigo, nem o Alfonso Cuarón.

PS: Baixei somente o áudio do vídeo para ouvir em trânsito. Se alguém tiver interesse, gritem aí que eu tento colocar em algum lugar.

Campus Party – O que eu vi do Painel sobre uso de mídias sociais na publicidade

Não vi todas as palestras que tinha programado, não comprei o livro “Tecnobrega: o Pará reinventando o negócio da música” que tanto queria e não baixei todos os filmes e músicas que gostaria. Estive pouquíssimo tempo na Campus Party. Assim sendo, sem mais desculpas, atenho-me aqui ao assunto que justifica meu status de colaborador no blog: o Painel sobre uso de mídias sociais na publicidade, com Marcelo Tripoli (iThink), Lucas Mello (LiveAD), Mentor Muniz Neto (Bullet), Gustavo Fortes (Espalhe), mediado pelo Carlos Merigo. São todas opiniões implorando para serem discutidas, levando em conta meu status de mirim na área. Aliás, não estive presente e acompanhei o mesmo pelo vídeo disponibilizado pela iThink. Quem viu tudo no calor da hora poderá ser mais preciso que eu, provavelmente.

Pra variar, mais uma vez, como já profetizara no Happy Hour, tivemos um debate que ficou boa parte focado nos blogs e na sua importância, na sua relevância, na sua blablablância. Essa crise de identidade já era sintoma na própria programação da área. Um CampusBlog com palestras sobre mídias sociais que acabaram focados, na sua maioria, em… blogs! Mesmo assim, três pontos foram fundamentais pra mim:

1) A importância da idéia social. Coisas boas viram assunto, empolgam as pessoas, são comentadas. Essas são as palavras mágicas definitivas, que somadas a um relacionamento certeiro, devem fazer a alegria das agências, dos clientes e das pessoas que interagem lá no final. Algo que parece tão velho quanto andar pra trás, presente em todos os senhores cases desde 1900 e lá vai bolinha. Mas que vale anotar no fundo de tela na hora de fazer acontecer.

2) Questionou-se a reivindicação de alguns profissionais por uma suposta maturidade e de uma inconseqüente profissionalização por parte dos “blogueiros”. Pra quem discorda da falácia (como eu), é dever da agência saber se relacionar com todo e qualquer tipo de pessoa que goza de certa autoridade nas diferentes redes sociais.

3) O medroso “cliente que quer surfar a onda, mas não quer se molhar” (Dambrós, Joana) também apareceu. Um tema que deve ser pauta em todas as mesas de entusiastas dos mais variados segmentos da publicidade. Todos querem aumentar a sua fatia e puxar a sardinha para o seu lado.

Queria ter ouvido mais sobre produção de conteúdo colaborativo, sobre pesquisa de trendsetters/formadores de opinião/coloque aqui o seu termo preferido – mas talvez ali não era o lugar. De resto, percebi poucos pensamentos contrários e os que brotaram envolveram principalmente o meu ponto número 3. No geral, os debatedores parecem ter  posições parecidas sobre os temas abordados, um levantando a bola para o outro cortar várias vezes. Até cheguei a cantar essa bola antes, quando afirmava que a escolha dos quatro havia sido premeditada para esse fim. Menos bate-boca, mais “construção de conceitos”. Menos opinião sobre temas proibidos, mais cases das agências representadas. Reparem que nem o LG Renoir inflamou os participantes.

No mais, o ano parece ter começado bem pra quem gosta de conversar (ou ver conversas) sobre o assunto. Sem profissionais vendendo a cura do câncer e falsas ilusões, numa pegada bem mais pé no chão do que se costuma ver por aí.

Leilão Trident e Mil Casmurros – Transvestidas de Andy Kaufman

Andy Kaufman foi um artista controverso. Transformou a própria vida num grande espetáculo humorístico, ora um soft tragicômico, ora uma narrativa repleta de atitudes impossíveis de engolir. O ponto é que ninguém ficava sem uma reação que fosse e só quem o acompanhava entendia seus propósitos. Ele transformava o público em cobaias de experimentos comportamentais, tudo por puro prazer.

Vejo as ações Leilão Trident do Cauã Reymond (Espalhe) e Mil Casmurros (LiveAD) meio como transvestidas de Andy Kaufman, incompreendidas e julgadas precocemente por muitos como fracassos. Antes de tudo, eu prefiro recolher os tomates e tentar entender.

A Trident poderia perfeitamente fazer uma promoção qualquer, onde um fã qualquer juntaria uma quantidade de embalagens qualquer e enviaria para um endereço qualquer e, se fosse sorteado, ganharia o encontro com seu ídolo. Mas e a graça disso tudo? Estaríamos comentando, reagindo e interagindo com algo tão sem sal? E não é “fale mal, fale de mim”. Arrisco a dizer que a marca sai ilesa da ação, mencionada em diversos veículos e comentada em muitos lugares.

O mesmo parece-me acontecer com os tais Mil Casmurros. Alguns se apressaram em alardear que, devido à lentidão com que os vídeos foram postados no site, a divulgação estaria sendo um fardo para a Toda Poderosa. Já eu torço para que a Rede Globo e a agência tenham olhado para os lados, e não apenas para frente. Centenas de citações e um sucesso que pra mim extrapolou o da mini-micro-série – uma espécie de orgasmo de adolescente que tem a sua “estréia” com a namoradinha.

Às vezes as coisas não são o que parecem ser e assim como os que julgavam Kaufman, não há sensatez, apenas reação desenfreada. Posso estar errado, mas parece-me que a Trident não queria lances de milhões na memorabília asquerosa e arrisco a chutar que a Globo, depois de todo o auê, não deveria se importar muito com os mil vídeos.

Ações e campanhas que objetivam o zumzumzum são assim. Arriscadas, grandiosas, controversas e chocantes por natureza. Se não, não tem barulho, não tem conversa. E quem trabalha com esse esquema de internet deveria se perguntar: não vivemos na era da recomendação, do culto ao Cluetrain, das idéias virais e da “mídia (colada com cuspe no) social”? Por que damos tão pouca bola ao boca-a-boca então?

Assim como para Andy Kaufman o mundo era uma ilusão que não se devia levar tão a sério, para quem faz ações como essas o sucesso não é atingir a métrica que reluz logo na primeira piada.

Vi Man on the Moon – que eu recomendo -, li este post no Buzz Cultural e fiquei com vontade de dar a minha humilde opinião.

1 2 3 6  Scroll to top