Antes mesmo da solidificação do Brasil como o país da botecagem online, os Flash Mobs já encantavam toda uma nobre casta de especialistas em marketing de guerrilha, profissionais da web 1.0 e publicitários descolados.
Hoje essa modalidade experimenta do seu próprio veneno: quem deveria espalhar, passou a mobilizar virtualmente boicotes às ações – mesmo que sem querer, mesmo que só com aquela twittadinha maliciosa. Abateu-se uma preguiça com a deturpação dos conceitos e instituiu-se a ressaca de Flash Mobs.
Não é de se imaginar o contrário, levando em conta o que se vê por aí com tentativas de se exibir superantenado nas novidades, mas que passam longe do bom senso. É o risco que se corre quando a publicidade tenta se apropriar de atitudes genuínas para fins nem sempre muito amigáveis lá no final das contas. E aí, dá-lhe contratar dançarinos, atores, ensaiar, escolher os melhores ângulos para o costumeiro vídeo-registro…
É um tanto esquizofrênico desembolsar cachês para 400 atores com a missão de dançar numa praça e associar isso às palavras “Flash” e “Mob”. Muito mais roots e interessante, convenhamos, é mobilizar a participação de 2000 pessoas nas redes sociais apenas através do poder da mensagem, geralmente sem sentido. Mais roots, mas mais difícil.
Mesmo assim, ainda existem esperanças pra quem curte aquela nostalgia gostosa. O caminho da salvação está nas mãos do Improv Everywhere, sempre citados por aqui. O coletivo de anônimos é responsável tanto pela ascensão, como pela recente “profissionalização” desse tipo de mobilização, sem perder aquela pegada de outrora.
Nesse último fim de semana, por exemplo, o grupo reuniu 2000 pessoas para um passeio coletivo com cães invisíveis pelas ruas do Brooklyn.

Mesmo que minimamente organizado, o resultado é a comoção coletiva(!), viralização(!), buzz(!) nas ruas… No final do dia, o interessante é imaginar como um formato pode ainda ser espremido, de maneira relevante e sem perder a essência das suas origens. Basta ser verdadeiro, basta ser genuíno.
Por isso, quando for criticar um Flash Mob, imagine que o problema nem sempre está na mecânica do carro. Canalize toda a sua ira de 140 caracteres para a peça que está entre o banco e o volante, guiando a coisa toda.
Quando rolarem vídeos do acontecimento juro que atualizo o post.



issu memo!
é nóis.
Cara, complicado mobilizar muitas pessoas quando o cerne da idéia é promover uma marca. Sem envolver grana ou outro tipo de benefício em troca da “flashmob” fica pior. Eu acho que um eventos e ações como as flashmobs exigem pessoas chavez que por usa vez acabam influêciando o mainstream e á aí que rola a mobilização e o negócio todo ganha força. O grande detalhe é que os formadores de opinião custumam ser bem informados e, principalmente, tem uma reputação a zelar. Não vão arriscar sua marca pessoal por uma empresa qualquer (s/ grana rolando). É quase o princípio do Buzzmarketing, faz mais sentido quando é de coração.
Perfeito, Lessa. A chave do negócio quando o lance é buzz está nessas pessoas-chave e nas moedas de troca que negociamos com esses caras. Mesmo assim, pra mim, tá pra nascer um Falsh Mob patrocinado bom.
Caro Ariel,
Vi isso ontem e postei no twitter @differente, pelo qual me responsabilizo, por um motivo: flashmob já existe, mas essa é muito roots ( como você mesmo disse). Busca muito da essência da flashmob. O improve é um grupo muito bom, sempre faz coisas interessantes :) Já tem um bando de foto e o mais importante, na minha opinião, que você não citou, já tem histórias, MUITO engraçadas, sobre o acontecido =) Dá um look lá, mas não na improve e, sim, no experimento, o http://nolongerempty.com/ . Dá um look =) Grande abraço e continuem sempre com esse trabalho no SimViral, parabéns!!
Ariel, vídeo aqui no interactivity : http://www.interactivity.com.ar/