A polêmica é antiga, mas com a quantidade desenfreada de kits sendo distribuídas por aí, resolvi o retomar o assunto.
Antes de ler, tenha em mente que o objetivo não é desmerecer nem criticar quem recebe os kits (mesmo porque até o SimViral recebe). Existem outros lugares que você pode discutir esse “mimimi umbiguista” e destilar toda o seu ódio sobre blogueiro X ou Y da panelinha Z.
Vamos analisar o lado estratégico. Qual objetivo de mandar um kit para os blogs e que resultados se espera? Tá bom, a resposta mais simples e sincera é: querer ser falado para conquistar awareness ou talkability em social.
É como se fosse algo automático: tem essa campanha, como trabalhamos os blogs? Enviar kits pra eles, oras. Por mais bacana que seja o kit, não é algo caro para se fazer. Logo, o cliente não tem muito a perder e se conseguir que seja publicado no blog, twitter ou outra ferramenta, tá no lucro (ou não).
Há uns dois anos atrás até fazia sentido. Tinha o fato de ser pioneiro, de as empresas estarem se atentando para um novo mercado em crescimento na época. O kit era visto pelos leitores como uma recompensa pelo trabalho bacana que o seu blogueiro preferido fazia (de graça).
“Nossa, olha só que legal! O blog que eu mais gosto está sendo reconhecido pela marca X. Que bacana, hein?”
Com o passar do tempo e a banalização do kit para blogueiro o pensamento mudou.
“Putz, lá vem o fulaninho se gabar de novo do presentinho de mais uma marca”.
A postura dos blogueiros varia:
- Uns aproveitam o assédio e publicam ao menos no twitter para continuarem sendo alvo dos brindes.
- Outros recebem, ficam com o mimo e não falam nada (afinal ele não pediu pra receber, certo?).
- Outros falam demais sobre o kit e acabam queimando o filme.
Então a solução é não usar kit?
Talvez, mas vamos supor que essa tenha sido uma das formas escolhidas para uma campanha. Como poderíamos otimizar o seu uso?
Notem que o problema da grande maioria dos kits que a gente vê por aí está no foco: quase todos querem agradar os blogs, não os leitores.
Pensa bem, você quer mesmo saber se o fulano ganhou uma cueca com o nome do seu personagem preferido no Star Wars? Ou se a marca tal levou o siclano para se jogar no bungee jump?
Nesses casos o resultado são algumas poucas twittadas “amigonas”, mais meia dúzia de visualizações no Twitpic e com muita sorte um post meio deslocado no meio do conteúdo de um blog.
“Ah, mas o blogueiro é influenciador, pode fazer que seus leitores comprem de uma forma indireta”
Bobagem. É tão irrisório que sei lá se vale a exposição de ser visto como o “mimador” da vez.
Acredito que vale quando entra em um contexto bacana para a empresa, leitores e, consequentemente, blogueiros. É a tal relação ganha-ganha. Pode ser uma promoção, um assunto inédito, que gere entretenimento ou que auxilie o blog a produzir um conteúdo único, diferente, exclusivo. Analisar mais o blog, não o blogueiro.
Outra maneira é quando o objetivo do kit não é ser o assunto principal, mas uma forma diferente de apresentar uma ideia maior. Vejo que essa seja tem sido a maneira mais explorada. Nesse caso você tem que botar muita fé na sua ideia, porque as chances de ser ignorado são grandes. Não é fácil ser o assunto da vez.
O certo é que quando os kits são transformados em mimos aleatórios ninguém ganha nada com isso. Torço para que essa banalização passe logo e que ocorra uma evolução nesse sentido. Menos kits, mais conteúdo. Mais ideias, menos obviedade.



6 Responses to Kits pra que te quero?
Flávia Verena 05/02/2010
Não sou blogueira, mas concordo muito com sua opinião! Gostei do texto! Abç
Jenifer Mendes 05/02/2010
Não concordo.
Os kits são formas de mostrar tb os produtos da marca, e quando se fala em produtos cosméticos por exemplo, a distribuição de kits é muito válida, pois a blogueira experimenta o produto e em seguida fala sobre o que achou, não esqueçamos que o leitor do blog muitas vezes se identifica com a personificação que o blog toma, então é bem provavel sim que ele compre se concordar com a analise do blogueiro.
Acho super valido para marcas pouco conhecidas conquistarem espaço nas mídias sociais, as grandes marcas já são super conhecidas e muitas vezes nem precisam se esforçar em ações desse tipo para terem posts e tweets falando da marca, no entanto, marcas novas acabam “cavando” seu espaço nessas mídias.
Blogueiros esnobes são diferentes de blogueiros sinceros.
Rafael Ziggy 05/02/2010
Fala Jenifer, obrigado pelo comment. O objetivo é gerar essa discussão mesmo.
A minha resposta é simples, só colando uma parte do texto:
“Acredito que vale quando entra em um contexto bacana para a empresa, leitores e, consequentemente, blogueiros. É a tal relação ganha-ganha.”
Até mais ;)
Iuren 07/02/2010
Excelente. Sempre procuram repetir uma fórmula quando ela da certo.
Tudo bem, mas porque não pensar a respeito e utilizá-la somente quando for pertinente?
Acho que o teu post é sobre isso, sobre a utilização e otimização dos meios de comunicação das empresas com a mídia 2.0 ,3.0 e por aí vai.
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O que interessa não somente para os blogueiros (e para a sua imagem) como para os leitores é uma posição transparente, verdadeira. Partindo deste ponto, seguir uma fórmula, simplesmente porque “é a que faz sucesso”, sem ao menos se esforçar em procurar uma alternativa também adequada é o oposto do ideal hoje em dia.
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Chego a pensar que agir dessa forma se compararia à falar: “Ok ok, tem que comunicar pra web hoje. Dá mais um daqueles kits, pra atingir o público, mas não vamos esquecer que o que importa é tv, revista e jornal.”
Bruno Tozzini 11/02/2010
concordo : “que gere entretenimento ou que auxilie o blog a produzir um conteúdo único, diferente” . press kit criativo é um bom caminho. vce está entregando assunto/conteudo, não está pedindo nada, nem elogio nem post. Esta comunicando. presentinho pra agradar não funciona, apesar de alguns blogueiros ainda vibrarem com isso…